SD Narrando Viramos a noite acordados. Eu, PH e Tony. No escritório. O rádio ficou do lado, ligado o tempo todo, frequência limpa só com quem tava no plantão. Aqui não é longe do Vidigal não, é rota. Rota pra safado tentar se esconder achando que vai sumir no mapa. Só esquece de um detalhe: aqui ninguém passa batido. Eu fiquei sentado, encostado na parede, arma apoiada no colo, ouvido mais atento que cachorro em noite de foguete. O silêncio nunca é silêncio de verdade. Sempre tem um barulho, um estalo, um eco distante. E nessa noite, teve pipoco. Dava pra ouvir de longe. Seco. Ritmado. Os bota foram pra föder mesmo. Não foi operação de fachada, não. Foi pra entrar, quebrar e mostrar quem manda. Eu balancei a cabeça sozinho, meio rindo de canto. — Isso é pra moleque otárïo aprender — f

