Graças a minha ideia de ficar conversando com a Lisa durante a aula, levamos uma detenção e tivemos que permanecer na aula uma hora depois dela terminar.
Lisa não pareceu chateada com a situação, mas eu estava. Porque eu precisava ir para a aula de natação me preparar para as finais e não posso ir.
Mas não estou chateada com a garota nova- mesmo que em parte ela tenha culpa. Tivemos que ficar sentados olhando o tempo passar enquanto a professora Audrey nos vigiava.
Então, quando penso que ficarei quieto no meu canto, sinto uma bolinha de papel me atingir. Olho para ver do que se tratava o papel e ela faz sinal para que eu leia.
Abro o papel e leio sua mensagem:
"Posso conseguir que saíamos do castigo. Topa?"
Abro minha mochila e pego uma caneta, escrevendo de volta:
"Como? Ela está nos vigiando o tempo todo."
"Vou fazer aparecer algo que ela tenha medo, mas eu não sei do que se trata e aí que você entra. Sabe ler mentes né?"
"Acho que sim, mas não gosto de invadir a mente das pessoas."
"Quer perder sua aula de natação ou não?"
Ela estava certa, não poderia perder essa aula, caso contrário, meu pai iria desistir de me levar e pagar minha entrada para a competição, então apenas faço um sinal positivo com o polegar e leio a mente dela, procurando seus medos mais profundos.
"Ainda bem que aqui não tem baratas porque só de pensar, me causa arrepios."
Escrevo no papel e jogo o mesmo de forma sutil para ela.
"Ela tem pavor de baratas."
"Ótimo, vou dar um jeito nisso."
Ela fala algumas palavras da qual não prestei atenção e aparece diversas baratas na sala. Lisa finge que tem medo e sobe em cima da cadeira, enquanto grita.
"ah, uma batata!"
"onde? Onde?"- pergunta a professora, subindo na cadeira também.
Então apareceram daquelas baratas de cor preta, das pequenas, da qual são encontradas em cemitério. Vimos apenas os gritos da mulher, com a mesma subindo em cima da cadeira.
Não aguentamos e começamos a rir, mas isso fez a mulher ficar furiosa, porém disse:
"Saiam daqui, acabou a detenção."
"Com prazer- responde Lisa e saímos da sala."
"Obrigado por isso- ela dá um sorriso- mas agora eu preciso ir. Só preciso descobrir como, já que perdi o último ônibus."
"Você mora muito longe daqui?"
"Meia hora e você?"
"Vinte minutos, eu acho- responde ela- vamos ter que ir andando."
"É, do mesmo jeito vou chegar atrasado na aula mesmo."
Caminhamos lado a lado pela estrada deserta às 18h- pelo menos não estamos na lua cheia porque não quero me transformar perto dela.
"Está tudo bem?- pergunta ela, ao perceber que estou em silêncio- é chato ter que ir andando para casa e esse silêncio não ajuda em nada."
"Desculpe- respondo timidamente- é porque eu não sei o que falar."
"Tudo bem. Me fale sobre sua família. Você tem irmãos? Eu tenho um irmão de seis anos chamado Black."
"Não, sou filho único."
"Que pena. É legal ter irmãos. Pelo menos o meu é muito bom comigo e gosto de ensinar as travessuras para ele se divertir."
"Entendo. Podemos apenas andar sem conversar?"
"Claro- ela responde séria- desculpe."
Vejo um carro se aproximar e resolvo pedir carona, mas o mesmo segue adiante.
"É perigoso pedirmos carona" - reclama ela.
"Perigoso para eles né? Porque não somos total humanos e se tentarem algo, é só nos defendermos."
"Não havia pensado nisso- responde ela- eu só sei fazer o trajeto pelo ônibus, não conheço nenhum atalho para chegar em casa."
"Em qual rua você mora?"
"Rua C e você?"
"Rua J. Sei onde você mora. É perto de uma floricultura Sunshine?"
"Sim. Como você sabe?"
"Eu já morei nessa casa quando era criança, mas nos mudamos porque meu pai não gostava dali. Ele dizia que a energia não era boa."
"Eu gostei da casa. Você poderia ir lá no final de semana."
"Tá bom, marcado então- ela me dá um aperto de mão- podemos ir por essa trilha. É mais perto e dá de frente para sua casa."
"Tem certeza? Já está de noite- a observo com graça- não é porque sou um ser sobrenatural que não tenho medo de locais desconhecidos."
"Fique tranquila que, se alguém tentar se aproximar de você, eu te protejo. Sou bem forte."
"Ah, é mesmo, havia me esquecido que você era lobo. Tudo bem, não quero chegar tarde em casa."
"Ótimo- a guio pela trilha e usamos a lanterna do celular para iluminar o caminho- cuidado com as pedras."
"Desculpe por não ter aceitado me sentar com seus amigos na hora do almoço."
"Está tudo bem. Você sente saudades dos seus amigos?"
"Sim, mas eles não sabiam sobre mim. Era uma escola normal."
"Caramba e como você conseguia ser você mesma lá?"
"Normalmente. Não uso meus poderes. A última vez que usei, foi para voar perto da lua para desenhá-la, mas alguém me viu e meus pais, com medo de sermos descobertos, nos mudamos para cá."
"Caramba. Você teve muita sorte de não te denunciarem. Porque antigamente as bruxas eram queimadas vivas."
"Sim, por isso que nos mudamos. Mas sinto tantas saudades do Gael e da Mickaella."
"Gael era seu namorado?"
"Claro que não. Ele é meu melhor amigo, ou pelo menos era né?"
"Sinto muito que tenha passado por isso e espero que goste da nossa escola."
"Bem, eu gostei de uma coisa aqui em Jacksonville."
"É mesmo? De que?- pergunto meio confuso, mas sentindo meu coração se acelerar."
Ela pára de repente e segura na minha mão por um breve momento, mas não diz nada. Depois, voltamos a caminhar sem tocarmos no assunto.
Eu não conseguia parar de olhá-la e percebia que a mesma fazia o mesmo comigo, mas não parava de pôr o cabelo atrás da orelha.
Caminhamos por 16 minutos e chegamos em frente a sua casa- mas ainda dentro da trilha.
"Bom, chegamos, sua casa ali- aponto e ela observa- eu vou indo. Até amanhã Lisa."
"Tá bom e obrigada por me trazer até em casa- seguro na mão dela e a mesma sorrir- até amanhã Matthew."
Ela solta a mão e retorna para a rua, enquanto eu a vejo entrar na porta de sua casa. Depois, sigo andando pela rua até chegar em casa.