Nos primeiros minutos, Dixon xinga e resmunga baixinho. Ele suspira e olha para mim.
— O que aconteceu? - ele pergunta, ainda chateado.
— Eu não sei. - eu respondo. — Eu estava esperando por você lá fora e então aquele cara esbarrou em mim e começou a me tocar em todos os lugares. - digo com relutância.
Ele não diz nada, apenas mantém os olhos na estrada, mas posso ver a raiva crescendo dentro dele. Ele levanta o punho e eu poderia jurar que fiz um som de choramingo. Eu me viro e olho para a janela enquanto Dixon fica quieto.
— Kila. - ele diz, sua máscara fria e dura ainda intacta. Olho para ele, sem dizer nada, e ele se mexe na cadeira, bem ciente do motivo de minha reação. — Quem fez isso? - ele pergunta.
Olho para minhas mãos e não respondo.
— Foram aqueles idiotas da universidade? - ele pergunta, genuinamente preocupado. — Kila? - ele diz, seus dedos roçando meu braço. Eu fujo de seu contato e de repente uma lágrima cai dos meus olhos. — Deus. - ele diz quando eu começo a chorar.
Posso dizer que ele não está acostumado com emoções.
— Você não tem que me dizer. - ele diz. Ele olha para a estrada e não diz nada pelo resto da viagem.
Quando chegamos em casa, Daxine me vê e me abraça.
— Como foi seu primeiro dia, querida? - ela pergunta com sinceridade.
— Algumas fraternidades tentaram entrar em sua calcinha em plena luz do dia e todos ao redor iam deixar isso acontecer. Como é esse som? - Dixon diz, obviamente ainda chateado.
— Oh querida. Eu sinto muito. Você é uma garota muito bonita, mas isso não deveria dar a eles uma razão para tirar vantagem de você. Eu sinto muito. - Daxine simpatiza.
Dou-lhe um sorriso caloroso e aceno com a cabeça. Eu me viro para subir e uma voz alta me interrompe.
— Quando você entra, você deve sempre falar com o homem da casa, menina. - O pai de Dixon, diz.
Eu me viro para olhar para ele.
— Eu pensei que era Dixon? - digo, confusa.
Sua risada ecoa por toda a casa, me fazendo pular um pouco.
— Você é estúpida? Eu sou o homem da casa. Como Dixon pode se casar com alguém tão desrespeitosa? - ele diz, gritando enquanto agarra meu braço.
— Finn. - ouço Vixen dizer, enquanto ele caminha até seu pai.
— Onde estão suas maneiras, Dixon? - seu pai responde, rapidamente me soltando.
— Eu não vou ter nenhum até que você tenha um pouco para ela. Não vamos sair muito da linha. Também não vamos esquecer que você é quem organizou essa merda. Eu não escolhi isso. Não importa o quão r**m eu seja. Odeio essa situação, ela ainda é minha noiva, e exijo que você a trate como tal. Se você a chamar pelo nome dela ou tocá-la novamente, eu vou me certificar de que você não tenha língua ou dedos para tocar ou dizer qualquer outra coisa novamente. - ele diz com um tom ameaçador.
Seu pai está envergonhado enquanto ele está lá. Dixon olha para mim por um segundo e se vira e caminha em direção à porta.
— Tenho uma reunião para comparecer, vuelto en seguida. -
[ Eu voltarei. ] ele diz olhando para sua mãe.
Eu me viro e subo as escadas para fazer minha lição de casa. Horas depois, a empregada sobe para me avisar que o jantar está pronto e, enquanto descemos, conversamos.
— Como posso chamá-la? - pergunto.
— Apenas me chame de empregada. - ela diz, cuidadosamente me levando para baixo.
— Qual é o seu nome? Eu só quero me referir a você assim. Eu não quero ser rude. - insisto.
— Está tudo bem senhora. - ela responde.
— Por favor? - pergunto novamente.
Ela me olha e suspira.
— Você pode me chamar de Cindy. - ela diz.
— Cindy. Bem, obrigado por cuidar de mim, Cindy. - eu digo, fazendo-a corar.
Sento-me à mesa e o jantar ainda não foi servido, então olho em volta e vejo que Dixon não está à mesa.
— Onde está Dixon? - pergunto.
— Ele é seu marido, não nosso. - Finn diz.
— Chega, Finn. Dixon já avisou você, e você sabe como ele fica. Ele não vai hesitar. - diz Daxine.
O que ela quer dizer com "Ele não hesitará? Eu cresci em uma máfia também, e isso não soa muito bem.
— Você poderia ir buscá-lo, querida? A comida vai estar fria quando ele chegar aqui. - Daxine diz.
Olho para cima e hesito por um segundo. Então eu lhe dou um sorriso caloroso.
— Certo. - digo.
Levanto-me e subo as escadas verificando todos os quartos. Eu me deparo com um escritório que suponho ser dele baseado em sua cor escura. Eu entro com uma batida na porta e sua cabeça levanta da papelada que ele está fazendo em sua mesa. Ele olha para mim e sua sobrancelha se ergue.
— O que é isso? - ele pergunta, ainda segurando a caneta na mão, olhando para mim com uma sobrancelha arqueada.
— Daxine queria que eu vinhesse buscar você. O jantar está pronto. - digo, tentando evitar contato visual.
— Eu vou descer em um segundo. - ele diz, e abaixa a cabeça.
— Ela disse que não quer que a comida esfrie. - digo, tentando levantá-lo.
Ele suspira e olha de mim para seu jornal e então se levanta, colocando a caneta na mesa.
— Estou chegando. - Dixon diz.
Eu me viro e começo a descer, me sentindo nervosa enquanto ele caminha atrás de mim. Quando chegamos na sala de jantar, as empregadas começam a servir o jantar. Eu olho para Dixon, que está sentada na minha frente e está mexendo com os anéis em seus dedos enquanto ele morde o lábio em pensamento. Eu quero perguntar a ele o que ele está pensando enquanto eu me sento lá, mas eu não me sento e começo a comer minha comida. Quando o jantar termina, junto-me a Daxine na cozinha.
— Qual é o problema querida? - ela pergunta enquanto lava um prato.
— Nada, eu só queria ajudar. - admito, pegando um prato sujo para lavar.
— Isso é muito gentil, mas eu posso fazer isso. - ela diz, sorrindo.
— Está tudo bem. Eu posso ajudar. - a tranquilizei.
Eu começo a ajudá-la a lavar a louça e antes que eu perceba, nós terminamos. Subo para o meu quarto e fecho a porta atrás de mim enquanto ando até a minha cama. Quando me deito, verifico a hora e são 10 horas. Começo a adormecer e então ouço minha porta se abrir. Eu levanto minha cabeça e coloco meu cabelo atrás das orelhas, focando na figura na porta.
— Posso entrar? - a voz de raposa vem, enquanto eu acendo minha lâmpada. Dixon era chamado de raposa, rápido e sorrateiro e sempre muito inteligente
— Sim. Entre. - digo, trazendo meus joelhos ao meu peito para dar espaço para ele.
Ele se senta ao pé da minha cama e mexe com seus anéis, olhando para suas mãos.
— Você está bem? - ele pergunta, mexendo em seus anéis e evitando contato visual. Olho para ele e percebo do que ele está falando.
— Estou bem, não foi nada. - digo.
— Não, foi alguma coisa. Eu não gostei disso. Ver minha... uma mulher sendo assediada assim. Eu posso ser implacável, mas ainda me importo, especialmente com alguém com quem eu deveria me casar em Deus sabe quanto tempo. - explicou.
Ele se mexe e me olha nos olhos.
— Se isso acontece de novo, ou se alguma coisa que você não gostar acontecer na escola, ou aqui em casa, você me avisa, ok? Eu gostaria que você ficasse confortável. - disse. Eu aceno com a cabeça.
— Tudo bem, eu vou. - digo, um pequeno sorriso aparecendo em meus lábios. Os olhos de Dixon se fixam neles por um momento, então ele balança a cabeça e fecha os olhos, levantando-se.
— Boa noite. - ele diz, indo embora.
— Boa noite, Dixon. - digo, sorrindo enquanto ele fecha minha porta.