Lucas narrando
Eu entrei no meu carro, a cabeça ainda a mil. O meu encontro com a mulher da praça me fez esquecer, por um instante, da traição de Sofia. Mas o caminho para casa me fez lembrar de tudo. Eu me sentia exausto, tanto mentalmente quanto fisicamente. A imagem da mulher, Isabela, me veio à mente. Ela era um espetáculo. Cabelos negros e ondulados, olhos grandes e castanhos, e um corpo que parecia esculpido. A sua roupa de corrida, um top preto e um short curto, me fez notar cada curva, cada detalhe do seu corpo. A sua cintura fina, os s***s no lugar, a b***a empinadinha e as coxas fortes e definidas. Ela era a mulher mais bonita que eu já havia visto na vida.
O meu coração se acelerou. Eu me senti um homem traidor, mesmo que eu não tivesse feito nada. Eu tinha uma namorada, uma mulher que eu amava, e eu estava pensando em outra. Mas a minha mente me lembrou da cena no meu apartamento, e eu senti um vazio em meu peito. Eu não tinha mais uma namorada.
Quando estacionei o carro na minha vaga, o carro caro de antes não estava mais lá. A minha casa estava em silêncio. Eu entrei, e o silêncio era pesado, um silêncio que me sufocava. Eu vi as malas da Sofia, e a minha raiva, que antes era fria, se transformou em uma chama.
Eu fui para a sala, e ela estava lá, sentada no sofá, com os olhos vermelhos e inchados.
— Lucas, a gente precisa conversar — ela disse, com a voz embargada.
— Não tem o que conversar, Sofia. Eu já entendi tudo. Eu já entendi que você não me respeitava.
— Eu te amo, Lucas. Foi um erro. Eu juro que eu te amo.
Eu ri. Uma risada fria e sem humor.
— Você me ama, Sofia? Você me ama, e me trai na nossa casa, na nossa cama? Você me ama, e me trata com desrespeito, com indiferença? Eu estou cansado disso, Sofia. Eu estou cansado de tentar te agradar, de tentar fazer você feliz, de tentar ser o homem que você quer.
As lágrimas dela escorriam pelo rosto.
— Eu… eu não queria te machucar.
— Mas machucou, Sofia. Você destruiu o meu mundo. Eu queria construir uma família, ter uma esposa em casa, ter filhos, ter um lar. E você acabou com tudo. Você acabou com o meu sonho.
O meu corpo estava em chamas, e a minha voz era carregada de uma raiva que eu não conseguia controlar.
— Eu nunca vou te perdoar, Sofia. Eu não sou esse tipo de homem. Eu sou um homem que acredita no amor, na lealdade, na confiança. E você destruiu tudo isso.
Ela se levantou, e eu vi o medo em seus olhos.
— Eu… eu vou embora.
— Vá. E nunca mais volte — eu disse, com a voz seca.
Ela pegou as malas e saiu. A porta bateu, e o silêncio da casa era ensurdecedor. Eu me sentei no sofá, e a minha cabeça parecia que ia explodir. O meu coração estava em mil pedaços. A minha vida, que antes era de ordem, de lei e de rotina, se transformou em um mundo de caos, de traição e de vazio.
Foi quando o meu celular tocou. Era um número desconhecido, e eu não queria atender. Mas o meu corpo estava em um estado de choque, e eu atendi.
— Alô? — eu disse, com a voz rouca.
— Boa tarde, Sr. Lucas Menezes. Estamos ligando do Banco do Brasil. A gente gostaria de te informar que você foi contemplado no seu consórcio.
O meu corpo gelou. O consórcio. Eu havia esquecido completamente dele. Eu havia começado a pagar o consórcio de uma caminhonete no início da minha carreira na polícia. O meu sonho sempre foi ter uma caminhonete, um carro forte e robusto, que me levasse para qualquer lugar.
— Você está falando sério? — eu perguntei, sentindo um lampejo de esperança.
— Sim, senhor. A gente vai te ligar amanhã para que você venha ao banco para assinar os papéis. Parabéns, Sr. Lucas.
Eu desliguei o celular, e o meu mundo se desmoronou em uma avalanche de emoções. A minha vida estava em ruínas, mas, ao mesmo tempo, algo bom estava acontecendo. Eu tinha o meu carro. Eu tinha um novo começo. E, no meio de todo esse caos, a imagem de Isabela, a mulher dos cabelos negros e do olhar de leoa, me veio à mente. O destino, que antes me parecia tão c***l, agora me parecia um jogo de cartas. E eu estava pronto para jogar.