Lucas narrando
Aquele beijo... O gosto doce e proibido da boca dela ainda pairava nos meus lábios, e o calor do seu corpo nu parecia ter se impregnado em minhas mãos. Me afastei, a respiração pesada, olhando para Isabela. A vergonha e a excitação dançavam em seus olhos marejados.
— Isso... isso não podia ter acontecido — murmurei, a voz rouca, quase inaudível. A adrenalina corria nas minhas veias, uma mistura perigosa de culpa e desejo. — Eu... eu estou louco por você.
As palavras escaparam sem que eu pudesse controlá-las, a verdade nua e crua como o corpo dela à minha frente. Mas a realidade nos atingiu como um balde de água fria. Eu era um policial de serviço, ela, a irmã de um detento sob minha custódia, ainda que indireta.
— Eu preciso... eu preciso continuar a vistoria — disse, tentando desesperadamente retomar uma parcela de profissionalismo que se esvaía a cada segundo. Apontei para a parede lateral da pequena sala. — Encoste-se ali, de costas, por favor.
Ela hesitou por um instante, mas obedeceu, a pele ainda arrepiada. Observei a linha delicada do seu corpo, a forma como o cabelo liso e escuro escorria por suas costas nuas, a nuca vulnerável me convidando a um toque proibido. Um novo onda de desejo me atingiu, mais forte que a anterior.
— Dê uma leve empinadinha, por favor — pedi, a voz embargada. Era o procedimento, eu precisava manter a compostura, mas a visão da curva suave de seus glúteos me fazia lutar contra meus próprios instintos.
Ela obedeceu novamente, a inocência em seus movimentos me torturando. Me aproximei, a mão trêmula enquanto realizava o toque superficial, seguindo o protocolo. No momento em que meus dedos deslizaram pela curva de suas costas, senti seus músculos se contraírem. Um gemido baixinho escapou de seus lábios, um som quase inaudível, carregado de surpresa e uma inocência que me incendiou por dentro. Ela se curvou ainda mais, como se buscando algum tipo de alívio ou talvez intensificando aquela sensação inédita.
Perdi o controle novamente. A razão se esvaiu, deixando apenas o desejo puro e avassalador. Abandonei qualquer pretensão de profissionalismo e me inclinei, aproximando meu rosto do seu pescoço. O perfume suave da sua pele me embriagou. Depositei ali um beijo lento e demorado, sentindo o tremor percorrer seu corpo inteiro. Aquele era o nosso segredo, a nossa proibição, o fogo que começava a arder entre nós, ali mesmo, sob os frios e implacáveis muros da penitenciária.