Isabela narrando
A noite chegou com uma brisa suave que nos abraçava na varanda. O som de Foz do Iguaçu, uma mistura de carros distantes e grilos, era a trilha sonora perfeita para a nossa conversa. Karina e Lorena estavam comigo, cada uma com sua taça de vinho, e eu me sentia em casa. Era a nossa rotina sagrada de amigas, uma pausa necessária na semana.
Karina, com os olhos brilhando, foi a primeira a falar.
— Meninas, preciso contar uma coisa. Estou começando a ficar sério com Sérgio.
Eu e Lorena nos entreolhamos com sorrisos de cumplicidade. Sérgio era dono de um mercado na cidade, e a gente já sabia que ela estava de olho nele.
— Amiga, que notícia maravilhosa! Ele é um cara incrível — eu disse, genuinamente feliz por ela.
Lorena, então, se inclinou para a frente, o copo na mão, o olhar misterioso.
— E eu? Eu estou conhecendo um cara, o Henrique. Ele é policial civil na cidade.
Uma onda de surpresa tomou conta de mim. Policial civil. O meu coração deu um salto.
— Uau, amiga! E ele é legal? — perguntei, sentindo um nó na garganta.
— Ele é incrível! Maduro, com um senso de humor que me mata de rir. Estou muito interessada nele.
As duas me olharam, e eu sabia que era a minha vez. Era a minha vez de confessar o que estava sentindo. Eu peguei a taça de vinho, e bebi um gole, tentando encontrar a coragem.
— Eu… eu estou interessada em um cara também. Ele se chama Lucas. Ele é PRF.
Karina me olhou, surpresa.
— PRF? Uau! Mas como você o conheceu?
— Na praça, na academia, na rua hoje. Ele é… ele é diferente. Ele me ajudou a trocar o pneu.
O meu coração se acelerou, e eu me senti uma mulher que tinha que tomar uma decisão. Eu tinha que confiar. E eu confiei.
— E aí? Ele é bonito? — Karina perguntou.
— É. Ele é lindo, ele é um gato. — eu respondi, com um sorriso.
Lorena, então, soltou a bomba.
— Henrique, o cara que eu estou conhecendo, é amigo de Lucas.
O meu coração deu um pulo. Amigo de Lucas. De repente, o mundo parecia um pouco menor, e as possibilidades, infinitas. Talvez esse fosse um sinal. Talvez o destino estivesse, finalmente, me dando uma chance. Uma chance de ser feliz. Uma chance de amar. E talvez, só talvez, a minha vida estivesse prestes a tomar um rumo completamente novo.