Isabela narrando
A fila se moveu e, antes que eu pudesse respirar fundo, eu e minha mãe fomos separadas por duas portas de metal. O corredor à minha frente era frio e cinzento, e o som dos meus próprios passos ecoava, pesado, até a porta marcada com o número 3. Engoli o choro e girei a maçaneta.
A sala era pequena e austera, com uma cadeira e uma mesa de metal. No centro, uma linha amarela marcava o chão. E, atrás da mesa, estava ele. Lucas.
O mundo girou e meu fôlego sumiu. A forma como ele me ajudou a trocar o pneu… tudo isso se chocou com a realidade daquele momento. A farda, o olhar sério, o papel em suas mãos. Ele não era mais o homem que eu conheci na rua; ele era a autoridade, a representação de todo o meu medo.
Eu senti uma lágrima quente escorrer pelo meu rosto, e a minha garganta se fechou. A vergonha e a humilhação me atingiram como uma onda. Ele me viu, e o seu olhar, que antes era de surpresa, agora era de dor. Ele também sentiu a gravidade da situação.
— Isabela, por favor, retire a roupa ali no canto — ele disse, com a voz séria e profissional, apontando para uma cortina.
Eu assenti, a voz presa na garganta. Meu corpo inteiro tremia.
— Tem câmeras aqui? — perguntei, a voz um sussurro quase inaudível.
Lucas me olhou, e o seu olhar, que antes era de dor, agora era de empatia.
— Não, Isabela. Não tem câmeras. É só o relatório que o policial faz.
As palavras dele me deram um alívio mínimo. Eu me virei e fui até o canto, minhas mãos trêmulas. Sem olhar para trás, comecei a desabotoar a blusa.