Capítulo 15

658 Words
Lorena narrando Eu olhei para a minha amiga, Isabela, e o meu coração se partiu. Ela estava sentada no meu sofá, com os olhos vermelhos e o rosto pálido, e eu via a sua dor. A Isabela era a mulher mais forte que eu conhecia, mas a sua força era a sua maldição. Ela carregava o peso do mundo nas costas, e eu sentia que ela ia desabar. Nós éramos amigas desde a infância. Eu a conhecia. Eu conhecia a sua dedicação à família, o seu amor incondicional. Eu a vi se transformar de uma menina em uma mulher forte e independente depois que o seu pai faleceu. Ela se tornou a provedora, a protetora, a que segurava as pontas. E eu a vi se esquecer de si mesma. Eu a vi se esquecer de que ela era uma mulher, uma mulher que merecia ser feliz. Eu me sentei ao lado dela, e a abracei. — Amiga, eu sei que é difícil. Mas a vida é para ser vivida. Ela balançou a cabeça, negando. — Eu não posso, Lorena. Eu tenho o meu irmão. Eu tenho a minha mãe. Eu não posso pensar em mim. Eu me afastei dela e a olhei nos olhos. — Sim, você pode. Você já fez o que podia, Isabela. Você foi à delegacia, contratou um advogado. Agora a situação do seu irmão está nas mãos da justiça, e não nas suas. Você fez a sua parte. Isabela me olhou, e eu vi a sua surpresa. Ela nunca havia pensado nisso. Ela nunca havia pensado que ela havia feito a sua parte. — Mas… e se ele precisar de mim? — Ele vai ter a gente. Mas ele também precisa de um advogado, e ele tem. E agora, você precisa pensar em você. Eu a olhei, e eu sabia que a minha voz era forte, mas era a voz de uma amiga que a amava. — Amiga, vai ter a Expoagro na cidade. São dez dias de festa. E você vai comigo. Isabela riu. Uma risada que me fez sentir um alívio. — Lorena, você enlouqueceu? Eu não posso ir em uma festa. Eu tenho o meu irmão na cadeia. — E daí? Você vai ficar em casa, se afogando na sua tristeza? Você vai deixar de viver a sua vida por causa de uma escolha errada que o seu irmão fez? Ele que se meteu nessa, Isabela. E você, você não pode ser a prisioneira do erro dele. As minhas palavras a atingiram. Eu vi a sua expressão mudar, a sua dor se transformar em raiva, em frustração. Eu sabia que eu havia tocado em um ponto sensível. — Eu não sou prisioneira de ninguém, Lorena. Eu sou uma mulher que está lutando pela sua família. — E eu sei disso. Mas a sua luta não pode ser a sua vida. Você tem que ter um momento para você. Você tem que se permitir viver. Eu me levantei e fui para a cozinha, peguei um copo de água e voltei para a sala. — Amiga, amanhã a gente vai comprar umas roupas novas. Nós vamos para a Expoagro. E você vai se divertir. Você vai sorrir, vai dançar, vai beber. Você vai ser a Isabela de antes. A Isabela que vivia, a Isabela que era feliz. Eu a olhei, e o silêncio entre nós era pesado. Eu sabia que eu havia plantado uma semente. Uma semente de liberdade. — Eu não sei, Lorena. Eu… — Sim, você sabe. E você vai. Porque a vida é para ser vivida, Isabela. E você merece ser feliz. Eu a abracei, e eu a senti relaxar. Eu sabia que a minha amiga estava em um caminho de autodescoberta, um caminho de liberdade. E eu estava lá para ajudá-la. Eu estava lá para segurar a sua mão. A nossa amizade era a minha força, e a dela. E eu sabia que, juntas, nós poderíamos enfrentar qualquer coisa.
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