O fim de tarde ia tingindo o céu de laranja e rosa quando Daniela e Coringa ficaram em silêncio, sentados lado a lado na parte traseira da lancha. O mar estava calmo, a ilha pequena ao fundo parecia isolada do mundo, e o barulho suave da água batendo no casco criava uma sensação quase irreal. Eles já tinham comido. A churrasqueira ainda soltava um leve cheiro de carvão apagando. As latinhas de cerveja estavam espalhadas sobre a mesinha lateral. Daniela estava com as pernas dobradas sobre o banco, o biquíni ainda levemente salgado dos mergulhos, o cabelo seco pelo vento. Coringa estava ao lado dela, braço apoiado no encosto, postura relaxada — algo que ela nunca tinha visto nele dentro da prisão. — Parece que a vida é outra aqui — ela comentou, olhando o horizonte. Ele acompanhou o olhar

