O som das motos ecoava pelo morro quando 22K subiu a última curva da ladeira e parou na frente da boca. O movimento já estava intenso. Vapor entrando e saindo, rádio chiando, gente contando dinheiro, outros organizando mochila de entrega. Ele desceu da moto e passou a mão no cabelo, voltando automaticamente para aquela postura fria de quem comandava aquele lugar. Alguns vapores cumprimentaram. — Fala chefe. — Tranquilo, patrão. 22K apenas fez um gesto com a cabeça. Dentro da sala da boca, Coringa já estava ali, de pé na frente da mesa com dois celulares e um rádio espalhados, falando com alguém. — Não quero essa carga passando pela rua de baixo. — disse ele no telefone. — Sobe pelo beco da oficina. Mais rápido. Ele desligou e levantou os olhos. — Demorou. 22K encostou na mesa. —

