Daniela chegou em casa ainda com o corpo tenso, como se não tivesse realmente saído da penitenciária. Fechou a porta atrás de si com cuidado, encostou as costas nela por um segundo e respirou fundo. O apartamento estava silencioso, com aquele cheiro familiar de café velho e produto de limpeza barato. Era pequeno, simples, mas era o único lugar onde ela ainda se sentia minimamente segura. Largou a bolsa no sofá e passou a mão pelo rosto, sentindo o cansaço pesar. A imagem do Coringa vinha e voltava à mente como um replay indesejado: o olhar duro, a voz mandando os outros presos baixarem a cabeça, a forma como ele a encarou quando ficaram sozinhos. Não havia sorriso, não havia gentileza. Só controle. E aquilo a deixava em alerta. — Dani? — a voz de Camila veio do quarto. — Chegou? — Chegu

