A cela parecia menor naquela noite. Rafael andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, o som das botas ecoando no concreto frio. O celular estava na mão dele desde o início da noite, a tela acendendo e apagando sem nenhuma notificação nova. Nenhuma resposta. Nenhuma visualização. Nada. O maxilar dele travava a cada minuto que passava. Não era normal. Daniela sempre respondia. Mesmo curta, mesmo seca, mas respondia. E agora… silêncio. Um silêncio que arranhava por dentro, que fazia o sangue ferver. Rafael sentou na cama de concreto com força, apoiando os cotovelos nos joelhos. Passou a mão pelo rosto, respirou fundo, tentou se controlar. Tentou. Mas não conseguiu. — .Porra… — murmurou, olhando a tela de novo. Digitou outra mensagem. Nada. O peito subiu e desceu pesado.

