O cheiro da carne assando se misturava ao sal do mar e ao vento leve da ilha afastada. A lancha balançava devagar, presa com segurança na pequena faixa de areia. O som da churrasqueira chiando dava um ritmo tranquilo à tarde. Daniela estava sentada no banco acolchoado da parte de trás, os cabelos ainda levemente úmidos do mergulho, observando Coringa virar a carne com uma naturalidade quase doméstica demais para alguém que ela conheceu atrás de grades. Ele estava sem camisa, bermuda clara, postura relaxada. O sol marcava as tatuagens espalhadas pelo corpo dele, destacando traços e sombras. Nada ali parecia prisão, tensão ou guerra iminente. Parecia… normal. E isso era o mais surpreendente. — Tá quase — ele disse, sem olhar diretamente para ela. Daniela apoiou o queixo na mão, estudando

