Já passava de meia-noite quando eu parei a moto do outro lado da rua. A rua tava quase morta. Pouca luz, pouco barulho, aquele silêncio estranho que não é paz — é aviso. O prédio velho, escuro quase inteiro, só uma coisa acesa: a luz do apartamento delas. Amarela, firme, como se alguém ainda estivesse acordado, esperando o dia acabar. — Tá em casa… — falei baixo. Peguei o celular, mandei o recado curto, do jeito que o Coringa gosta. 22K: Luz acesa. Ela tá em casa. Guardei o celular, puxei o capacete e já ia ligar a moto pra subir pro morro. Missão cumprida. Mais uma. Eu já tava cansado dessa função de babá. Podia estar lá em cima, resolvendo coisa séria, metendo com uma pu.ta qualquer, bebendo, dormindo. Qualquer coisa melhor do que ficar de olho em prédio de gente normal. Aí eu ouvi

