O bar estava lotado como poucas vezes. Sexta-feira quente, pagode estourando, a roda de samba no centro puxando gente de todos os cantos. O cheiro de cerveja gelada, suor e perfume barato se misturava no ar, enquanto o tantã marcava o ritmo e o pandeiro chorava alto. Daniela estava no meio da roda. Não encostada na parede, não sentada. No meio. Cantando junto, batendo palma, o corpo solto, vestido colado ao corpo, curto, abraçando cada curva sem pedir desculpa. O cabelo caía solto pelas costas, a pele brilhava sob a luz amarelada do bar. Ela sorria de verdade — coisa rara nos últimos tempos. Do outro lado do balcão, Camila trabalhava. Correndo de um lado pro outro, enchendo copos, passando cartão, gritando pedido pra cozinha. Às vezes olhava pra roda só pra conferir se Daniela ainda es

