A subida até a casa foi mais silenciosa do que qualquer coisa naquela noite. Camila segurava firme nele, não por escolha — por necessidade. A cabeça ainda latejava, o corte ardendo sob o curativo. O vento da madrugada batia no rosto inchado e ela fazia careta a cada solavanco da moto. Quando 22K virou na última curva do morro e parou em frente ao portão alto, ela piscou, confusa. — Aqui? — perguntou, ainda meio zonza. Ele não respondeu. Só abriu o portão automático e entrou com a moto. A casa não tinha nada a ver com o que ela imaginava. Nada. Por dentro, era ampla, clara, organizada demais para combinar com o homem que a trouxe até ali. Tons brancos, detalhes em cinza claro, iluminação indireta embutida no teto, sofá grande, minimalista, sem bagunça. Piso frio brilhando. Cheiro de

