CORINGA- PILOTO

596 Words
O cheiro de ferro enferrujado e suor velho é a primeira coisa que se sente quando se entra na ala 3 da Penitenciária Santa Cruz. Aqui não tem espaço pra arrependido. Quem tá aqui ou já matou, ou vai matar. Eu sou Rafael. Mas ninguém me chama assim. No morro, no rádio, na boca dos inimigos, eu sou conhecido como Coringa. Tenho trinta anos. Trinta de guerra, não de vida. Cresci no Morro da Esperança, onde a lei é feita na ponta da pistola e respeito se conquista com sangue. Entrei pro crime com doze, virei vapor com treze, e aos dezessete já comandava invasão. O apelido veio depois de uma noite que ninguém esquece: ataque ao Morro da Fênix. Eu ri enquanto o chão tremia de tiro. Dizem que eu sou louco. Talvez seja. Mas louco mesmo é quem acha que pode me derrubar. Fui preso há cinco anos. Armadilha. Traição. Um dos meus, vendido pro Caveira, entregou minha localização. Eu tava voltando de uma reunião com os caras do tráfico internacional, achando que ia expandir o negócio. Quando virei a esquina, já era tarde. Viatura, helicóptero, luz vermelha piscando. Não deu nem tempo de sacar. Me jogaram no chão, algemaram, e sorriram como se tivessem vencido. Mas ninguém vence o Coringa. Eu só tô esperando a hora de dar o troco. Aqui dentro, o tempo passa devagar. Mas cada segundo é uma contagem regressiva pra minha vingança. Caveira acha que tá seguro lá no alto do Morro da Fênix, cercado de capangas e dinheiro sujo. Ele esqueceu que eu tenho memória. E aliados. Lucas, o 22K, tá lá fora, mantendo o nome vivo. Ele é meu braço direito, meu irmão de guerra. Frio, calculista, e com mais de 22 mortes nas costas. Juntos, a gente vai fazer o chão tremer de novo. Meu corpo carrega minha história. No peito, uma tatuagem com a carta do Coringa, rasgada no meio, como símbolo da minha imprevisibilidade. No braço direito, uma caveira com olhos vermelhos, lembrando cada inimigo que caiu. No pescoço, uma corrente de arame farpado tatuada, porque liberdade pra mim sempre foi dor. Cada linha na pele é uma lembrança. Cada cicatriz, uma vitória. Não sou homem de palavras doces. Nunca precisei conquistar mulher. Elas vinham por medo, por status, por desejo de estar perto do poder. Amor? Isso nunca fez parte do meu vocabulário. Não sei ser romântico. Não sei ser gentil. Mas sei dominar. Sei controlar. Não por flores ou palavras. Vai ser porque eu decidi. E quando o Coringa decide, não tem volta. Os dias aqui são todos iguais. Café amargo, banho gelado, conversa fiada. Mas eu uso cada minuto pra planejar. Minha saída. Minha vingança. Meu domínio. O regime aberto tá perto. E quando eu sair, vai ter sangue. Vai ter fogo. A cela é pequena, mas minha mente é grande. Eu vejo tudo. Escuto tudo. Os guardas acham que mandam, mas eu tenho mais poder aqui dentro do que eles lá fora. Os outros presos me respeitam. Alguns me temem. Outros me seguem. Eu sou o Coringa. E esse jogo ainda não acabou. Minha história não é de redenção. É de guerra. De conquista. De vingança. E quem cruzar meu caminho vai entender que o sorriso do Coringa é só o aviso antes do caos. A contagem regressiva começou. Cinco anos se passaram. O mundo lá fora mudou. Mas eu não. Eu sou o mesmo. Frio. Letal. Imparável. E quando eu sair, Caveira vai cair. E o Morro da Esperança vai voltar a ser o que era: território do Coringa.
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