Gadernal narrando Eu dirigia com tanto ódio que parecia que o volante ia arrancar da minha mão a qualquer momento. A raiva vinha em ondas, uma atrás da outra, me afogando, me sufocando, tomando cada pedaço do meu corpo. Eu só enxergava o sangue na minha camisa, o sangue do moleque, e a imagem daquela vagabunda indo pra cima de mim pra proteger ele, agarrando ele como se fosse a p***a de um anjo indefeso, como se ele fosse um bebê frágil que ela precisava defender do mundo. Defendendo ele igual mãe. Igual mãe. Essa palavra me corroía igual ácido. Igual mãe. Eu não posso dizer que eu cresci sem isso, porque seria mentira. Eu tive quem fizesse por mim e pelo meu irmão muito mais do que qualquer mãe dessas de condomínio faria. Minha avó era a p***a da fortaleza. Minha avó era a muralha, era

