Gadernal narrando Foi o suficiente pro movimento inteiro da boca parar. Os moleques começaram a correr em direção às motos, já com as armas na mão, rádio no ouvido, a segurança toda girando o bonde. As motos pipocaram pela rua como enxame. Eu entrei dentro do meu carro bufando, soltando fumaça pela boca igual touro prestes a atropelar tudo que aparecesse no caminho. Quando liguei o motor, nem enxergava mais p***a nenhuma, só via vermelho. Era como se o mundo todo tivesse desaparecido, e só tivesse uma coisa pulsando dentro de mim: a imagem dela sambando no meio daquela quadra, cercada de homem, cercada de música, cercada de bebida, com aquele corpo de tentação que já tirou minha paz mais de uma vez, que me desafia, me enfrenta, mas ainda assim me pertence. Porque pertence. Porque é minh

