E ela não estava só lá em cima. Ela estava sambando, rebolando devagar no ritmo da bateria, jogando o cabelo pro lado com aquele sorriso de canto que me destrói cada vez que eu lembro. O vestido subia mais a cada passo dela. Cada movimento parecia uma afronta pra mim. Parecia que ela sabia exatamente o que estava fazendo comigo. Parecia que ela queria me provocar até o fim. Eu apertei o cabo da pistola na cintura, puxei o boné pra frente e fui passando pela multidão igual um touro descontrolado. Os moleques da segurança foram abrindo o caminho na base do empurrão, do grito, da presença, e eu só subia, degrau por degrau, com a respiração pesada, o maxilar travado e a certeza absoluta de que se algum homem tivesse encostado nela naquela noite, eu ia descer aquele camarote carregado de corpo

