Mas aí… O rádio dele tocou. De novo. INSISTENTE. GRITANDO. BUZINANDO NO MEU CÉREBRO. Ele olhou pro rádio. Eu olhei pro rádio. O rádio olhou pra nós dois. Eu já estava com a mão coçando pra pegar aquela p***a de aparelho e tacar pela janela com tanta força que ia parar lá no Mato Grosso. Eu abri a boca para falar qualquer coisa, mas ele já tinha tomado a decisão: abriu a janela e tacou o rádio lá pra fora com tanta raiva que eu ouvi o barulho do impacto lá embaixo, provavelmente caindo no chão ou na cabeça de algum inocente. — Problema resolvido — ele rosnou, como se tivesse feito a coisa mais lógica do planeta. Eu respirei fundo, com a arma atrás das minhas costas, sentindo meu corpo inteiro ferver porque eu tinha certeza absoluta que eu estava vivendo um surto coletivo e não mais a

