Capítulo 133

1060 Words

Angelina narrando Eu não sei explicar de onde veio aquela força, porque o meu corpo inteiro doía. Doía depois do banho, doía depois da roupa limpa, doía depois de eu tentar me recompor diante do espelho como se aquilo fosse possível. Cada músculo parecia rasgar por dentro, as pernas tremiam, o quadril queimava, o rosto latejava, e ainda assim eu estava de pé. Não por dignidade, não por orgulho, mas porque a ideia de cair significava não chegar até ele. E eu não podia não chegar até o meu filho. Não depois de tudo. Não depois daquela madrugada em que eu me vi jogada na Avenida Brasil como um bicho atropelado, sangrando, invisível, descartável. Fui literalmente arrastada até o hospital, os corredores passando rápido demais diante dos meus olhos, a luz branca me ferindo a cabeça, o cheiro

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