Gadernal narrando — meu filho, calma, por favor! — ela pede chorando em choque por me ver ali Cada vez que eu escutava a palavra meu filho naquela boca imunda, o meu sangue fervia, o meu estômago subia, minha visão turvava, e eu sentia a minha mão pulsar por causa do buraco que eu mesmo abri no muro antes de vir pra cá. — Para de me chamar de filho, p***a! Eu não sou teu filho! — gritei tão alto que os quadros na parede tremeram, e ela se encolheu mais ainda, se arrastando pra trás igual barata cercada. Eu avancei nela, peguei ela pelo braço, puxei debaixo daquele aparador de luxo, e agarrei um porta-retrato pesado, cheio de dourado, cheio de felicidade comprada, cheio de mentira. Virei a foto na direção dela com a mão tremendo de ódio. — Esse aqui é teu filho, né? Esse aqui tu cri

