Capítulo 123

1631 Words

Dona Ana narrando — Quê? Não, vó. Minha mãe morreu nos seus braços. A senhora me contou isso. O meu pai me abandonou e minha mãe morreu — ela falou num atropelo, com raiva e pânico misturado, como se repetir a história pudesse fazer ela virar verdade de novo. O Gadernal puxou ela pela mão para ela se sentar, e eu vi a força com que ele segurou, não para mandar, mas para impedir que ela saísse correndo e se perdesse dentro do próprio desespero. Ela ficou agoniada do lado dele, em pé ainda, os olhos arregalados, sem acreditar no que eu estava falando, como se eu fosse uma estranha mentindo na cara dela. — A sua mãe é governadora, Livi — eu disse, e essa frase doeu na minha língua como se eu estivesse cuspindo uma blasfêmia. Ela ficou imóvel por um segundo, e depois o corpo dela começou

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