Marcone narrando É estranho pra c*****o pisar de novo no Brasil depois de tantos anos vivendo fora. Não é só atravessar uma fronteira física, é atravessar um monte de coisa que ficou enterrada dentro de mim e que, pelo visto, nunca morreu de verdade. A Bolívia virou minha casa há muito tempo, mais do que eu gosto de admitir, e me tornar quem eu me tornei não foi algo planejado, não foi uma decisão tomada com calma ou estratégia. Virar traficante de armas depois de ter sido um viciado foi um processo torto, sujo, cheio de atalhos errados, e, principalmente, cheio de escolhas feitas no impulso, quando eu já não tinha mais nada a perder. Nada disso começou do jeito que as pessoas imaginam. Não foi glamour, não foi ambição pura. Foi sobrevivência. Eu salvei um boliviano aqui no Brasil uma

