Afonso narrando Eu nunca me senti tão pequeno quanto naquele momento em que a porta da sala do meu pai fechou atrás de mim, deixando claro, sem precisar de palavra nenhuma, que aquela missão já não era mais minha. Eu pedi ajuda ali dentro como quem engole orgulho com sangue, olhando para os caras que ainda estavam comigo, homens armados, fardados, mas com o mesmo medo estampado nos olhos que eu sentia queimando por dentro, porque todo mundo ali já tinha entendido que aquela operação tinha virado um inferno fora de controle, um erro grande demais pra ser apagado com patente ou grito. — Me ajuda a sair daqui. Pelo amor de Deus. Eu não pedi como oficial, eu pedi como homem encurralado, porque eu precisava chegar lá fora, precisava ver com meus próprios olhos, precisava resolver aquilo do

