Gadernal narrando Eu fico parado na frente dele por alguns segundos só observando. Não falo nada de primeira. Deixo o silêncio pesar. Deixo ele ouvir a própria respiração falha, o barulho distante de tiro cessando no morro, os passos dos meus vapores andando de um lado pro outro, como quem já sabe que a cena acabou e que ali é só o acerto final. O coronel do BOPE, o homem que se achava o terror das favelas, agora tava ali sentado no chão, amarrado, sujo, com a farda rasgada, a bota coberta de poeira, o símbolo que ele tanto respeitava completamente esculachado. Eu ando devagar ao redor dele, fazendo questão de que ele vire o pescoço pra me acompanhar com o olhar, como um cachorro acuado. Ele tenta manter a postura, tenta bancar o durão, mas o corpo dele já tinha entregado tudo. A sober

