Governadora narrando Foi quando eu vi um carro parar devagar na minha frente, e eu juro que, por um segundo, eu pensei que era o fim, porque a sombra do carro, o farol cortando a madrugada, o barulho do motor, tudo aquilo parecia a continuação da humilhação, parecia que a vida estava me empurrando mais um degrau para baixo, e quando a porta abriu e eu vi que era ele, eu senti o meu estômago virar, porque eu precisava dele e, ao mesmo tempo, eu odiava precisar de qualquer homem, principalmente dele. — c*****o, o que é que tu veio fazer aqui sozinha? Tu é burra? — o cabo Afonso falou com raiva, e a raiva dele não era só preocupação, era raiva de homem ferido, de homem que se sente afrontado por ter sido atingido indiretamente, e eu tentei responder, tentei levantar a cabeça, tentei mante

