Gadernal narrando Eu nunca precisei ser impulsivo pra destruir alguém. Na maior parte das vezes, o que dói mesmo é a cabeça. É a verdade entrando devagar, quebrando tudo por dentro. E ali, naquela casinha enfiada no meio do mato, com o cheiro de ferrugem, sangue seco e medo velho impregnado nas paredes, eu tive que ser estratégico como poucas vezes na vida. Eu encarei o moleque sentado ali, amarrado, o corpo tremendo mais de choque do que de dor, e pensei frio. Pra mim, ele não era meu irmão. O ódio que eu sentia continuava o mesmo. Sangue não apaga história. Sangue não apaga escolha. E o inferno que eu ia fazer na cabeça daquele filho da p**a do Cabo Afonso estava só começando. — Tu acha mesmo — eu comecei, andando devagar na frente dele — que teu pai vai te olhar igual depois disso

