Gadernal narrando Eu conheço a Lívia. Conheço o temperamento, conheço a impulsividade, conheço o jeito reativo, a língua afiada, o coração enorme e a coragem inconsequente que ela tem quando sente que alguém ameaça quem ela ama. Justamente por isso o medo me engolia. Não era medo dela gritar, brigar ou quebrar tudo. Era medo dela se fechar, dela se afastar, dela me olhar diferente e decidir que aquilo tudo é demais pra ela, que a minha vida é grande demais, suja demais, perigosa demais para o que ela quer pro nosso filho. E essa possibilidade me rasgava por dentro de um jeito que nenhuma bala nunca conseguiu. Eu caminhei pela sala, peguei a garrafa e servi um copo sem nem perceber direito quando tinha começado a beber. O álcool desceu queimando, mas não aquietou nada, só deixou os pens

