Capítulo 165

914 Words

Marcone narrando Eu lembro da minha mãe com um avental velho, mexendo panela, reclamando da vida mas cantando baixinho enquanto fazia comida. Eu lembro do jeito que ela me olhava quando eu chegava tarde, com raiva e alívio misturado, como se ela quisesse me bater e me abraçar ao mesmo tempo. Eu lembro do cheiro da casa, do barulho da rua, do calor subindo do asfalto, das vozes das pessoas chamando meu nome. Eu lembro e fico com medo. Medo dela me ver e me reconhecer na hora, porque mãe reconhece. Mãe reconhece até quando o filho vira outro homem. E se ela me reconhecer, eu não sei o que eu faço. Eu não tenho coragem de encarar o ódio dela de frente. Eu não tenho coragem de ver de perto o que eu mereço. Eu quero ver de longe. Eu quero ver escondido. Eu quero saber se elas estão bem sem p

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