Tudo deveria começar no início.
Mas como ter um início quando não se conhece o final?
Sempre me pergunto se tudo poderia ter sido diferente. Ainda assim, nunca desejei que fosse. Apesar dos pesares, amo a vida que tenho hoje.
Sou Cassandra De Luca, filha de Vittorio De Luca e Helena De Luca. Meus pais sempre foram minhas maiores referências — no caráter e nos negócios. Foram esses mesmos negócios, porém, que levaram minha mãe para onde ela está agora.
Morta.
Mamãe morreu quando eu tinha quinze anos, vítima dos inimigos do meu pai. Os mais impiedosos. Aqueles que ninguém ousa enfrentar — não por medo, mas porque ninguém sabe quem eles são. Conhecidos apenas como a máfia Volkov.
A máfia mais forte do mundo.
Não se sabe exatamente onde surgiu, nem onde termina. Mas todos sabem o que significa ouvir seu nome.
Meu pai tentou buscá-los. Tentou vingança, tentou respostas. Nunca encontrou nada. Quando completei dezoito anos, ele encerrou as buscas e decidiu me preparar para assumir a máfia De Luca — o império da minha família.
Desde então, minha vida passou a girar em torno disso.
Aos vinte anos, dois anos após o início do treinamento, encontrei uma brecha para viver uma vida dupla. Uma que ninguém podia conhecer. Passei a ajudar mulheres vítimas de abuso psicológico e s****l. Mentir para meu pai não foi fácil. Mas foi necessário.
Desde então, vivo para elas. Para as que não têm apoio. Para as que o silêncio tentou engolir.
Aos vinte e dois, quatro anos depois do início do treinamento, assumi oficialmente a máfia. Não foi simples. É um ambiente dominado por homens, por olhares que diminuem, por comentários que ferem. Cada micro agressão me lembrava que aquele lugar não foi feito para mim.
Ainda assim, permaneci.
Provei meu valor. Me feri. Me reconstruí.
Honestamente?
Faria tudo outra vez se fosse preciso. Mesmo que isso me custasse a vida.
Porque ainda há algo em mim que não descansa.
Uma busca eterna por vingança.
Por justiça.
Por algo invisível — mas impossível de ignorar.