Um tio e tanto.

1152 Words
Aquele não poderia ser o tio certo? Era isso que Chloe estava pensando. O homem sentado sobre o sofá era totalmente diferente do que imaginou. Nunca pensou que ele era daquela forma. Tinha imaginado um homem velho, barbudo talvez. Mas aquilo ali, tinha a deixado de queixo no chão. Tinha ficado surpresa com tanta beleza. Era um homem jovem, uma barba por fazer e um cabelo alinhado. Ela tinha até mesmo esquecido de fechar a porta. Talvez ela já estivesse babando e nem percebeu. --- Não vai entrar Chloe? Chloe voltou para a realidade. A mesma ainda estava parada na porta. Teve vontade de sair correndo. Ele com certeza tinha notado o quanto ela o analisou. Ela entrou fechando a porta atrás de si. --- Bem diferente do que imaginou? --- Sinceramente? Não esperava nada assim. --- Tudo bem, dessa vez eu não me importo, vá para o banho, vamos jantar depois. --- Sim. Chloe correu para o quarto. Estava envergonhada, tão envergonhada que não sabia como olhar para ele. Entrou na cozinha e ele já estava sentado á mesa. --- Se importa em comer na cozinha? --- Não. Chloe se sentou, começaram a comer. Arthur não estava prestando atenção nela. Acreditava que ele nem tinha a olhado. --- O que? Está envergonhada por me analisar por uns minutos. Ela levantou a cabeça olhando para ele. --- Desculpe, realmente é bem diferente do que imaginei, por isso fiquei tão surpresa. --- Não se preocupe com isso, não é vergonha olhar para alguém como você olhou. Ele riu e Chloe fechou os olhos. Era impossível não se sentir envergonhada. Ela ficou organizando a cozinha depois do jantar. Arthur ficou ali com ela apenas a observando. --- Estava trabalhando? --- Sim, foi meu primeiro dia. --- E como foi? --- Tirando a parte que havia uma cliente maluca, foi ótimo. --- Sempre há algo inesperado. Chloe balançou a cabeça em afirmativa. Ao menos o tio também não era tão chato quanto imaginou. Do nada ela se lembrou do que Jade havia falado. Aquele realmente era um tio e tanto. Ela deixou o copo cair no chão quando se deu conta do que estava pensando. Arthur correu até ela. --- Chloe, está tudo bem? --- Sim, está. Se lembrou do copo quebrado. Ia se abaixar para pegar os cacos. --- Fique parada, eu faço isso. Arthur juntou os cacos, pegou e colocou no lixo. --- Me desculpe, não foi minha intenção. --- Sei que não, seus pensamentos pareciam estar longe demais, em que ou quem estava pensando? Chloe engoliu a seco com aquela pergunta. Como diria para ele que estava pensando que ela tinha um tio e tanto? --- Em nada, nada. Ele não engoliu a resposta dela mas decidiu não perguntar. Ela pareceu ficar vermelha com a pergunta dele, não quis comentar. --- Só tome mais cuidado. --- Irei tomar. Arthur foi para a sala e ela foi buscar um livro. Sempre costumava ler algo antes de dormir. Já fazia parte da sua rotina. Se sentou no sofá lendo seu livro. Arthur chegou logo depois com o notebook. Os dois ficaram ali sentados. Não era r**m ficar no mesmo ambiente que ele. O silêncio não era desagradável como achou que seria. --- Chloe? Ela o olhou esperando que ele continuasse. --- Qual perfume você usa? --- Não uso perfume. Então era aquilo, o cheiro dela era bom por que não usava perfume. Bem que ele havia achado estranho. Não poderia haver no mundo um perfume tão bom quanto aquele. --- Gostou dos livros que comprei? --- Sim, são ótimos, eu realmente estava precisando. --- Ao menos acertei em cheio no presente. Viu o sorriso no rosto dela. Voltou novamente sua atenção ao notebook. Estava organizando algumas coisas do trabalho. --- Sabe por que pensei que fosse velho? --- Não mas estou curioso. --- Desde o começo sempre deixou cartas e bilhetes pela casa, pensei que era velho e não gostava do novo método de comunicação. Arthur gargalhou, se bem que ela tinha razão. Ele deveria mesmo ter usado seu celular. Teria sido tão útil quanto uma carta. --- E por falar em bilhetes e cartas não me respondeu a nenhuma. --- Não tinha o que falar, nas cartas você só dizia que tinha comida e que eu precisava me alimentar bem. Ele parou para pensar e realmente era verdade. Era basicamente aquilo que ele falava nas cartas. Não tinha muito o que ela responder. --- Obrigada. --- Hum? --- Por me deixar ficar aqui, e por cuidar de mim. --- Farei isso enquanto estiver morando aqui, não me agradeça todas as vezes, gosto de cozinhar pra você, nunca deixa a comida ir para o lixo. Chloe sorriu, aquilo era verdade. Ela não costumava desperdiçar. Arthur não cozinhava para Chloe sem motivo. Na verdade antes de Chloe ir morar ali ele tinha ido a casa dela. Foi até lá para conversar com Clara. No processo ele olhou cada detalhe da casa. Havia notado que não tinha comida no armário e muito menos na geladeira. Quando perguntou a Clara o por que a resposta dela foi simples. "Ela não é mais criança, pode se virar na rua por ai". Sentiu vontade de falar muitas coisas para ela. No fim apenas ficou quieto. Naquele dia decidiu que cuidaria de Chloe. Cuidou para deixar tudo como achou que ela gostava. Pensou em comprar os livros como um presente de boas vindas. Queria que ela se sentisse em casa. E também queria que ela se alimentasse bem. Realmente ele m*l parava em casa. Antes se alguém chegasse ali e abrisse a geladeira não teria nem água. Só passou a comprar por que Chloe precisava. Ele mesmo não tinha tempo. Nos últimos meses estava ocupado demais com o trabalho. Não era sempre assim, só estava sendo agora por ele expandir o negócio. Quando foi visitar Clara também viu fotos de Chloe. Claro que eram fotos no quarto dela. Entrou acidentalmente quando viu a porta aberta. Foi dali que teve a idéia de comprar livros para ela. Os dela pareciam gastos e outros ela não tinha. Conhecia muito bem a faculdade de arquitetura. Estava feliz que ela tinha gostado de tudo. Ainda bem que tinha feito exatamente como ela gostava. --- Vou para a cama, preciso dormir. --- Tudo bem, boa noite Chloe. --- Boa noite. Arthur gostava que ela não o chamasse de tio. Não sabia como reagiria àquilo. Ele não era tão velho. Ficou ali no sofá até terminar o que fazia. Quando concluiu já era madrugada. O tempo tinha passado muito rápido. Desistiu de ir para cama e se aconchegou no sofá. As vezes costumava dormir ali. E tudo por que tinha preguiça de ir para a cama. Fechou os olhos, suas horas de sono seriam poucas. Precisava aproveitar que estava cansado. No dia seguinte seria a mesma coisa. Trabalhar até que desejasse desesperadamente estar em casa. ​
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