Capítulo 3

1125 Words
Todos os ancestrais de Lohan, meus pais, e até mesmo o intrometido do William estavam à mesa, todos com as mais variadas expressões ao ver a forma descontraída como eu e Lohan chegamos. Nas laterais, todos os empregados mais queridos estavam alinhados, e eles foram os primeiros a expressar contentamento com a nossa chegada, curvando-se em submissão, incapazes de esconder a felicidade que sentiam com o nosso retorno. — Minha querida, não fique tensa. Estamos em família, então as formalidades são dispensáveis — disse-me Lohan, pegando na minha mão e me guiando até a mesa. Mesmo ele tendo dito isso, cumprimentei respeitosamente a todos os presentes, especialmente os ancestrais de Lohan, que foram os primeiros a notar que a maldição dele estava novamente contida. — Parece que a nossa futura rainha já providenciou novas medidas contra a sua maldição — disse Edward, chamando a atenção dos que ainda não haviam percebido o acessório que Lohan estava usando. — Sim. Agora que Eliza se provou e se tornou uma loba extremamente poderosa, creio que possamos dar continuidade à oficialização de sua posição — disse Lohan, me olhando com orgulho enquanto deslizava as mãos gentilmente pelos meus cabelos. Sentei-me entre ele e minha mãe. Eu queria muito saber se ela estava feliz em me ver de novo, se o meu sentimento de satisfação por poder revê-la era recíproco, mas ela estava concentrada demais em manter seu padrão culto e solene. As aparências eram o mais importante, de novo... — Oh, isso é tipo um jantar oficial de noivado? — deixei escapar. Família reunida, e o assunto é casamento... Só podia ser! — Está mais para um jantar oficial de boas-vindas — comentou William com os olhos fixos em mim. — Todos se preocuparam muito com o seu desaparecimento. — Todos mesmo? — encarei Edward um pouco cética. Ele apenas sorriu suavemente, diferente do bisavô e do tataravô de Lohan, que tinham os rostos inexpressivos. Meus pais, diferente do que eu imaginava, voltaram seus rostos para baixo. Pareciam um pouco envergonhados. Será que eles não conhecem a filha que têm? O silêncio tomou conta do ambiente enquanto o jantar era servido. Só se ouvia a respiração dos presentes e o mover dos talheres sobre os pratos. Como todos, comecei a comer despreocupadamente, mas, por algum motivo, isso pareceu irritar o avô de Lohan. — Você causou muito alvoroço neste último ano. Todos nós aguardamos ansiosos por suas explicações e realmente esperamos que as tenha — Edward se manifestou no mesmo tom esnobe de sempre. — Responderemos a tudo — interveio Lohan antes que eu falasse algo que não deveria. Eu realmente detestava o tom de Edward, e o detestava ainda mais por saber que ele podia ter ajudado a salvar as irmãs da Willow, mas se recusou na época. — Minha prometida fez o que precisava ser feito, da forma que achou melhor. Eu a compreendo perfeitamente e a apoio! — Acho que ela poderia começar nos explicando como consegue esconder a sua maldição — interveio Simon Black, tataravô de Lohan. — Isso realmente me intriga. — Onde ela esteve esse tempo todo e por que não nos deu notícias? — questionou Tadeu Black, bisavô de Lohan. — Ou melhor, o que ela fazia no território de Willow? Ela não sabe que lobos não devem se envolver com bruxas? — completou Edward Black logo em seguida. — Responderemos a todas as perguntas a seu devido tempo — disse Lohan, pousando suavemente a mão sobre a minha. Eu já havia largado os talheres e não pretendia comer mais nada. — Não estamos aqui para falar sobre isso. Penso que devem deixar seus questionamentos para um momento mais apropriado. — Certo! Proponho levarmos isso para uma reunião do conselho amanhã. Oficializaremos a data da cerimônia de vocês assim que ela nos der todas as explicações que queremos — intrometeu-se Edward novamente. — Me recuso! — o contrariei sem um pingo de hesitação. — Fiz o que tinha que fazer, pelo tempo que me foi necessário, e não devo explicações a ninguém além do meu companheiro. Não foi o conselho que fez isso por mim; na verdade, não fizeram nada além de me atrapalhar. Não voltarei a pisar naquele lugar. — Isso não é você quem decide! — exclamou Edward Black, irritado. Os ânimos estavam se exaltando. — Companheira... — Lohan apertou minha mão com mais força, mas eu não pretendia recuar. — Lohan, foi você quem me disse que é um jantar sem formalidades, o que significa que posso me expressar como eu quero. — Mas... — Lohan interrompeu o que estava dizendo ao notar meu olhar e decidiu se calar. Eu sabia que ele se sentia pressionado, mas não pretendia aliviar essa pressão desta vez. — Filha, você está passando dos limites — minha mãe finalmente resolveu se manifestar. Ela podia ter me dito que sentia saudades, que isso era para o meu bem, mas a primeira vez que abre a boca desde o reencontro foi só para me criticar. — Suas ações nos causaram muitos problemas, então você deve se responsabilizar por elas. Deve fazer o que lhe ordenaram, e se precisar abaixar a cabeça e pedir desculpas, você vai fazê-lo! — Não, dona Mara, eu não — senti os cantos da minha boca se curvando em um sorriso confiante. Eu não me sentia angustiada ou ansiosa como costumava me sentir antes; pelo contrário, dentro de mim, um sentimento de liberdade borbulhava junto com a frieza de não me importar com as opiniões de pessoas que, em nenhum momento, me consideraram de verdade. Por que eu precisava me expor ao conselho? Por que eu precisava me humilhar? Por que eu precisava seguir regras chatas? Eu realmente precisava disso? — É imprescindível que faça isso se quiser continuar com o casamento — rosnou Edward, furioso com a minha petulância. — Oh, é mesmo? — segurei o riso que subia pela minha garganta, uma satisfação que estava além da minha compreensão. — Neste caso, só há uma solução. Esqueçam o casamento! — Esquecer o...? — Edward engoliu o que ia dizer, completamente anestesiado com o significado das minhas palavras. A expressão de choque passou pelo rosto de todos enquanto eu me levantava despreocupadamente. — Agora são vocês que precisam pensar se me querem como rainha — falei-lhes secamente, elevando meu olhar e dando-lhes as costas. — Afinal, eu realmente não preciso disso. Resolvi desaparecer dali sem me importar com o que pensariam. Lisa estava muito brava comigo, mas o controle era meu. Assim que me apossei da forma de lobo, comecei a correr, deixando-me levar pela sensação de liberdade que preenchia meu espírito. Onde posso ou não ir, ou o que tenho ou não que fazer, eu mesma definiria isso.
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