Lohan também quis ler o diário da minha ancestral e, por algum motivo, até quis fazer uma cópia dele para si. Ele se dedicou muito a isso nos dias que se seguiram. Eu, por outro lado, continuei angustiada. Já não queria mais ajudar Willow a despertar a semente só para salvar minhas irmãs. Eu precisava fazer isso por mim mesma, pelo meu próprio futuro.
— Até que enfim, dona Eliza! — disse William ao meu lado. Depois de me enfurnar no meu quarto por alguns dias, finalmente decidi sair e tomar um pouco de luz. Eu estava sentada no jardim, abraçando os meus joelhos, olhando fixamente para o chão, completamente perdida em pensamentos. — Estava doido para colocar a conversa em dia com você, mas não tive oportunidades. Finalmente resolveu dar as caras.
— Hum... — grunhi em resposta, um pouco desanimada. Ele se sentou do meu lado. Senti a energia de Jason por trás de nós, mas o ignorei completamente. Eu não estava com humor para nada.
— Você está bem? Brigou com o seu noivo? — Havia um toque de preocupação na voz e na energia de William. Jamais pensei que chegaria um dia em que ele se preocuparia de verdade comigo.
— Não. Eu e Lohan estamos bem — murmurei, ainda sem olhar para ele. — Só não estou bem comigo mesma.
— Há algo em que eu possa ajudar? — perguntou-me com suavidade. Fiz uma negativa com a cabeça e suspirei. — Então, por que não me conta o que andou fazendo? Até quando você e o Lohan vão esconder o que aconteceu?
— O que quer saber? — perguntei inexpressivamente, inclinando meu rosto na direção dele. Dependendo do que perguntasse, eu simplesmente ficaria calada.
— Bem, que tal eu começar falando das coisas que aconteceram por aqui enquanto você esteve fora? Quando se sentir à vontade, então você fala também.
— Me parece bom — respondi, forçando um sorriso. Ele não estava sendo intrusivo nem forçando nada. Parece ter considerado bem os meus sentimentos antes de propor isso. William definitivamente mudou muito.
Enquanto William narrava, relembrei o quanto meu companheiro sofreu com minha ausência, e isso afetou a todos em volta dele. Eu já sabia disso, mas William contava tudo de um jeito que me fez rir. Ele me mostrou os sentimentos dos guardas, as escapadas que eles davam, a parte travessa dos bastidores.
— Parece que você se aventurou bastante — respondi-lhe. Me sentia bem mais leve depois dessa narração divertida dele.
— Acho que a minha maior aventura foi na Cidade Neutra. Sério, aquele é O LUGAR!
— Você já foi na Cidade Neutra? — perguntei curiosa. Foi então que ele me contou sobre os detalhes da operação conjunta que fizeram com as bruxas naquele lugar.
— Eu realmente achei que você era a cantora de que tanto falavam. Achei que finalmente tínhamos te achado — comentou ele. Mordisquei os lábios, um pouco nervosa. Ele e Lohan chegaram tão perto assim de me encontrar?
— E essa Liz? Por que desistiram de averiguá-la? — perguntei, apertando minhas mãos nervosamente entre si.
— Como assim por quê? Primeiro que ela é uma bruxa, segundo porque é uma p**a. Soubemos que essa Liz estava passando a noite em um quarto privado com um dos clientes, então não tinha como ser você. Infelizmente aquela era a nossa única pista. Você realmente estava na Cidade Neutra aquele dia?
“Por isso Lohan ficou tão bravo comigo quando soube que meu nome de bruxa é Liz...”, pensei com Lisa. Ele realmente deve ter se sentido imensamente traído. Que tremendo m*l-entendido!
— Ei, está me ouvindo? — William chamou a minha atenção.
— Estou. Algo mais a dizer? — suspirei profundamente. Não sabia se ficava chateada por ele ter chamado Liz de p**a ou agradecida por ele não acreditar que eu faria algo assim.
— Só depois daquilo que fiquei sabendo como as bruxas são terríveis. Os guardas me contaram tudo sobre elas. São uma raça abominável e acho que você teve sorte em passar ilesa depois de ter sido pega por elas.
— William, tenho algo a dizer — falei-lhe secamente. — Acabou! Nossa amizade acabou! Não fale mais comigo!
Levantei-me e dei as costas para ele. Raça abominável? Quem ele pensa que é para chamar a mim e minhas irmãs de abomináveis?
— O quê? Como assim? O que eu disse de errado? — insistiu ele, correndo atrás de mim. — Se eu te chateei, me desculpa, tá?
— Retire o que disse então! — cruzei os braços e esperei com impaciência.
— Qual parte exatamente? — Ele parecia desesperado tentando descobrir. — Eliza, eu não leio mentes! Se não me disser, como vou saber?
— Realmente não consegue imaginar?
— Jason, o que eu disse de errado? — O desamparo estava gritante em seu olhar. Jason deu de ombros, como se dissesse que não fazia ideia do que seja.
— Eu vou te dizer o que você fez errado. Você fez um pré-julgamento de novo! Você não deve pensar ou falar m*l de quem quer que seja sem conhecer por si mesmo!
Não é a primeira vez que ele fazia isso. Ele já me menosprezou uma vez por causa disso, e agora estava se deixando influenciar pelos outros de novo.
— Você tem razão! — disse-me apressadamente. — Não fui eu quem disse isso, mas eu tinha que ter averiguado primeiro. Eliza, por favor!
— Podemos conversar a sós? — respondi de maneira mais suave. Jason imediatamente se afastou, e comecei a caminhar com William pelo jardim. Eu podia sentir o nervosismo emanando dele, e o compreendia. Assim como eu, ele precisava de uma amizade que o conhecesse pelo que ele foi do outro lado e que o pudesse aceitar por completo.
— William, me promete que o que eu lhe disser vai ficar só entre nós dois.
— Eu prometo! Não contarei nada a ninguém! — disse-me imediatamente. Assenti com a cabeça enquanto varria a área com minha magia para sentir as presenças. Não queria que ninguém me ouvisse.
— A Liz, a cantora daquele dia, sou eu.