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1200 Words
Carmen escutava a voz do professor sem realmente entendê-la, sua atenção sempre ia e vinha mas nunca se estabilizava. Seus olhos iam de Matheus que ainda estava ao seu lado, para Mari que agora estava com a ruivinha Lari, no colo, eles riam e brincavam e apesar de seus olhares se cruzarem, Marina não ousava ir falar com ela, não queria nem pensar naquele momento vulnerável na biblioteca, estava decidida a esquecer seu interesse repentino por Carmen, exceto pelos hematomas que viu em seu corpo, o que ainda fazia ela encarar a garota com curiosidade - aquelas marcas não podiam ser de quedas, apenas, tinha algo mais, e apesar de querer imensamente descobrir o que era, Marina estava com medo do quanto precisaria se aproximar para descobrir. Nunca tinha sido difícil para ela falar com garotas, na verdade, ela tinha mais jeito com o sexo feminino, que todo o time de futebol junto, isso ninguém ousava questionar. Mas, Carmen era diferente, um enigma, um desafio, um labirinto no qual Mari não queria se arriscar a entrar, porquê talvez não fosse capaz de sair depois. "E então aquela cena com Ray, você perdeu a linha em gata" Gabe disse trazendo a garota de volta, e por mais que ela quisesse ignorá-lo sabia que seu amigo só queria escutá-la, se estivesse com problemas, Gabe, seria quem ela mais poderia contar em sua vida. "Você viu as brincadeiras, Gabe, que saco, as vezes essas garotas confundem 'sexo' com compromisso" explicou ela mas não ousou olhá-lo diretamente. "E por que você sumiu no intervalo? Ficamos procurando por você, até achamos que tinha pulado o muro e ido embora" Lari disse dando de ombros Outra coisa que Marina odiava era dar satisfação, não gostava das pessoas cuidando de sua vida, mas esse era o preço da popularidade. "Fiquei na biblioteca" suspirou Seus olhares me encararam com evidente surpresa, Gabe deixou o queixo cair, e Lari saiu do meu colo e começou a passar a mão pelo meu rosto como quem mede a temperatura. "Não é febre, o que será que ela tem Gabe?" "Ei maluca" Mari protestou "Deve ser frustração, você disse que não terminou o serviço com Ray, quando foi que transou pela última vez?" "Dá pra parar" ela disse pegando as mãos de Lari e encarando os dois "Não estou doente, e não sou viciada em sexo para estar em crise de abstinência. Escutem só, foi só uma passada rápida e pronto" Ainda com ar de desconfiança eles trocaram de assunto. "Qual é a do Math, ele devia estar com a gente, mas prefere ficar com a 'nerd' " Lari resmungou e Mari não conseguiu evitar olhar para os dois que estavam no lado oposto da sala, Carmen sorria de algo que Matheus falava, mostrando as covinhas profundas que marcavam suas bochechas. "Sei lá, mas isso que esta fazendo é bullying amiga" Gabe disse à ela, mas encarava suas unhas bem feitas. Ela mostrou a língua pra ele "Quer saber...eu vou lá" "O quê? Lari..." mas antes que Mari pudesse impedi-la, a ruiva correu com os cabelos voando no ar, parou bruscamente ao lado de Matheus, que sorriu, Carmen olhou para as mãos constrangida, parecia escutar o que Lari dizia, mas não a olhava diretamente, por um segundo seu olhar encontrou o de Marina e pareceu uma eternidade até ela desviar seus olhos para Matheus. Ele assentiu positivamente com a cabeça, para alguma pergunta que Lari falou e se levantou estendendo a mão para Carmen que a pegou. Um tremor percorreu a espinha de Mari, ela já havia tido essa sensação uma outra vez e não estava feliz em sentir novamente. Eles se aproximaram, Lari jogando os cabelos para o alto, e Matheus ainda com a mão na de Carmen. "Adivinhem, Math não queria vir sem a..." "Carmen" suspirou ela dando uma leve revirada no olhar o que só Marina pareceu perceber. "Ok, Car, podemos chamá-la assim certo?!" Lari estava tentando deixar o clima agradável, mas não estava indo nada bem. Marina começou a sorrir quando seu rosto ficou mais vermelho que seus cabelos. "Carmen já tá bom" A penúltima aula era vaga, o que lhes permitiu ficar mais a vontade na sala. Gabe falava sobre as propostas de festas e bailes que teriam durante o ano letivo. "Segundo ano certo, temos que curtir o máximo, ano que vem é o último" Gabe murmurou mexendo nos cabelos já arrumados, mas nunca o suficiente para ele. "Todos marcaram presença na festa no fim de semana que vem?" Matheus perguntou e Mari encarou Carmen que entrelaçou os dedos no colo. Gabe e Lari olharam para Carmen mas desviaram o olhar muito rapidamente. "Você vai?" Math perguntou a Carmen "Ah não, não vou" deu de ombros, por um instante Mari soltou o ar que nem notou estar prendendo, mas, derrepente percebeu que Carmen nunca fora em nenhuma das festas que teve "Por que?" Lari perguntou piscando os longos cilios  "Eu não sou lá muito fã de festas, e também nunca fui convidada antes" ela disse a última parte passando os olhos por Lari, Gabe e pousando em Mari, elas ficaram assim até Gabe resmungar algo que fez Marina desviar os olhos para seu caderno na mesa, não tinha feito a lição de química, na verdade ela nunca fazia a lição. - o que esta acontecendo comigo? Porquê não consigo olha-lá diretamente sem sentir como se estivesse prestes a vomitar? - Marina pensava sem perceber que a conversa continuava sem ela. "Mas você vai nessa, eu estou convidando, vou te buscar na sua casa" Matheus falou e Carmen o encarou boquiaberta, assim como os demais. "Mas eu..." tentou dizer mas o garoto não lhe deu atenção "Tá decidido" ele falou "Vai ser na casa de quem esse ano?" Mari parou de prestar atenção na conversar, e ficou observando Carmen, a garota parecia estar mais vermelha que uma pimenta, mexia os dedos como um tic nervoso. Ela tinha colocado a blusa de frio o que não deixava aqueles hematomas roxos a mostra. Marina não queria mais pensar naquilo, não queria mais pensar nela. Mas mesmo após a aula, quando já estava em casa, seus pensamentos estavam naqueles cachos loiros, rebeldes e aqueles olhos escuros, como esferas penetrantes que pareciam invadir sua alma e desvendar seus segredos mais profundos. Era algo difícil de explicar, como descrever algo que você não tem ideia do que seja. Como se estivesse doente, mas os sintomas fossem desconhecidos. Ela estava deitada com os fones no ouvido, tocava Beyoncé - Crazy in love. Mas era o remix, que fazia a música ser bem mais excitante. Mari imaginou Carmen dançando pra ela, rebolando em seu colo, enquanto ela percorria seu corpo com a mão e puxava seus cabelos com a outra, deixando várias chupões e mordidas e sua clavícula, passando pelo pescoço antes de devorar sua boca...tão carnuda e macia que tornava aquele momento ainda mais quente. Mari quis sentir a maciez de sua pele, tocar cada canto de seu corpo, chegar ao seu íntimo e fazê-la gritar de prazer...- Marina abriu os olhos, totalmente confusa de seu pensamento repentino, a palavra chave da música ecoando em seus ouvidos CRAZY - ela vai me enlouquecer.
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