Quando o passado bate à porta Letícia Ele tava ali. De pé, na minha frente, como se os anos tivessem sido só uma vírgula. Mas não foram. O Jonas que eu conheci ficou pra trás. Esse homem agora... tinha um olhar diferente. Mais frio. Mais pesado. O jeito de andar, de falar, até o silêncio dele gritava. Como se ele tivesse atravessado lugares que ninguém devia conhecer. E eu? Eu também não era mais a mesma. Enterrei meu filho. Fugi carregando outro na barriga. Me escondi de tudo, até de mim mesma. Endureci. Calejei. — Obrigada por ter me ajudado — falei, com a voz seca, mais armada que grata. Ele assentiu, firme. — Era o mínimo. O mínimo. Engraçado ele dizer isso, justo ele. O silêncio entre a gente doía. Um silêncio cheio de palavras engolidas, mágoas trancadas e lembranç

