Te conhecer em paz Letícia A gente se descobria de outro jeito agora. Sem a pressa do medo, sem o peso do passado sufocando tudo. Ainda havia cicatrizes, claro — algumas mais sensíveis que outras —, mas era diferente. Como se finalmente a gente pudesse respirar um perto do outro. Naquela semana, Jonas me chamou pra descer o morro. Só nós dois. — Vamos andar, pegar um cinema, sei lá… comer besteira, rir de coisa boba. Tipo casal normal. Ri com a ideia. Porque, com ele, nada era exatamente “normal”. Mas aceitei. A gente desceu de moto. Ele pilotando, eu agarrada na cintura dele, sentindo o vento bater no rosto e o coração leve, do jeito que fazia tempo que não sentia. Paramos numa praça do centro, onde tinha um festival de comida de rua. Comemos pastel, brigadeiro de colher e tomamos

