8-34 Ruby

1437 Words
Depois de um tempo, caminho para o quarto vendo Dean deitado na cama encarando o teto. Pego minhas coisas que estavam lá, mas antes de sair do quarto pego o casaco gola alta de Dean e ponho em cima da cama ao seu lado, então saio do quarto batendo a porta, deixando ele para trás. Em seguida, ouço passos saindo e a porta sendo aberta. Parada na porta do banheiro o encaro parado na porta dele que me olha meio desconfiado. Gesticulo com a cabeça como se perguntasse o que ele quer. — Achei que fosse embora. — Comentou em um tom baixo coçando a nuca e ameaçando entrar para dentro do quarto novamente. — Quer que eu vá? — Ironizei erguendo as sobrancelhas. — Você volta? — Questionou me enquanto m*l me encarava. — Depois da escola? Suspirei fundo enquanto apoiava meu braço no encosto e o encaro mordendo o lábio. — Para que? Não tenho porquê. — Respondi. — Então… — Dean começou a falar, mas nem ele mesmo sabia exatamente o que queria falar. — Depois… como que… como que fica depois? — Está perguntando sobre nós? O que acontece depois? — Ergui a sobrancelha enquanto balançava a cabeça digerindo a pergunta, pois na verdade, nem eu mesma sabia respondê-la. — É. — Eu também não sei. — Respondi de uma vez, sem enrola. — Deixo com você, decide aí. — Então fechei a porta do banheiro do corredor, e me encarei no espelho. Há coisas que ficam estranhas depois de certos acontecimentos, e uma dessas coisas somos Dean e eu. Entramos em uma bolha de constrangimento e não sabemos mais como sair, agora ficou tudo tão estranho. Acho que ele já está bem o bastante, acho que já posso tocar minha vida. Esse termo, tocar a vida, soa tão triste. Nenhum elo me liga a Dean, bom, claro que liga mas nada que nos faça se aproximar novamente. Acredito que nem mesmo essa dívida, que ele nem sabe ainda do ocorrido, seria capaz de nos unir novamente. Tomo banho, lavo o cabelo, enrolo bastante. Não é igual viver na boate da Ruth onde precisa estar sempre encarando o relógio senão o atraso vem por qualquer bobeira. Aqui é tudo mais tranquilo, eu posso relaxar, tomar banhos demorados, ficar em silêncio e isso até me assusta. Não consegui nem dormir ontem, muito silêncio. Me visto, coloco todas as minhas coisas dentro da mochila e saio do banheiro passando por Dean sentado no sofá da sala. Ele não me olha, parece me evitar. Andei até à porta e a abro pondo metade do meu corpo para o lado de fora, eu ia sair de uma vez e não olhar para trás, mas falta de despedidas me assustam. Bom, o que também me assusta são despedidas. As duas coisas me assustam, o melhor mesmo seria não precisar se despedir. Encaro seu rosto relaxado no sofá encarando um ponto fixamente, pensando em algo e nem mesmo olhando para mim. Mas olhou depois de um tempo já que fiquei um bom tempo também, em pé ali observando ele. Não tinha nada para dizer, e o que eu tinha para dizer eu não queria falar. O encarei por uns segundos, e aquele olhar teve uma pitada de “talvez não nos falaremos mais” mas apenas engoli a seco. — Quando a Raquel chegar do trabalho, diz que já fui e que vou ficar bem. — Pedi e ele assentiu lentamente. Saí e fechei a porta. Caminhei por aquelas ruas sem olhar para trás, não olhava porque não era para lá que eu iria. Seguirei em frente, sem arrependimentos, sem ilusões ou medos. Agora era para valer, eu precisava enfrentar meus demônios de frente, sem medo. O que eu precisava na vida, ia muito mais além do que ser forte com uma briguinha i****a com um namorado. Entrei na sala, sorri para Línea que sorriu fraco de volta, agora acho que viramos mais íntimas do que era esperado. — A Abby não veio? — Questiono virando de lado na cadeira. — Não. — Ela disse como se fosse óbvio, e era mesmo. — Onde dormiu? — Na casa do Dean. — Ergui a sobrancelha rapidamente e abri os olhos como um gesto que dizia “me ajuda pelo amor de Deus”. — E então… — Falou como se pedisse para que eu continuasse falando. — Não sei, só dormi lá porque ele bebeu muito e eu fui ajudar, ficou muito tarde e enfim. Mas o que realmente importa, é que eu preciso fazer alguma coisa da minha vida agora. Sério, eu preciso. — Conta comigo se precisar de alguma coisa, você pode me ligar se precisar de um lugar para dormir. Só não posso te oferecer por muitos dias seguidos, meus pais iriam reclamar, desculpa. — Línea comprimiu os lábios. — Tudo bem, eu entendo e muito obrigada. — Sorri fraco. Bom, agora voltar para a boate não me parece tão r**m, sinto isso porque não tenho mais opção nenhuma e a sensação de não ter para onde ir faz qualquer lugar parecer bom. Mas se eu voltasse agora, Ruth me mataria. Ela deve estar me odiando tanto. Depois da aula, saímos todos das salas e caminhamos até o portão. Evitei a aula inteira o pensamento de quando essa jorra chegasse, a hora de olhar para um lado e para outro e pensar “para onde eu vou?”. Vejo as outras pessoas indo esperar os seus ônibus, entrar nos carros dos pais, subir algumas ruas para casa enquanto eu fico aqui parada no mesmo lugar. Minha reação foi caminhar até à beira da calçada e ficar ali. Olho para um lado e para o outro, mas continuo ali como se estivesse esperando por alguém. Mas estou mesmo, estou esperando uma luz. Reviro os olhos quando aparentemente a minha luz surge em cima de uma moto preta, vestindo uma jaqueta de couro e capacete de que cor também, adivinha? Isso mesmo, preto. Minha luz tira o capacete e me encara com aquele olhar muito bad boy, que eu deveria sentir medo mas tenho tanto nojo dele que não consigo sentir medo. — Vamos. — Jason diz, e não consigo identificar se o tom de voz é de ordem ou de calma. — Para onde? — Questiono curiosa e ao mesmo tempo interessada, para ver a que ponto cheguei por estar me sentindo tão jogada. — Para onde? — Murmurou rindo consigo mesmo. — Para a sua casa, óbvio. — Eu não tenho casa. — A casa de vagabundas, minha mãe mandou te buscar. — Jason explica. — Não, nem morta. Ela vai acabar comigo, eu não sou nem i****a de cair nessa. — Cruzei os braços puxando as bordas da minha jaqueta jeans sem mangas tentando fazê-las me cobrir mais, morrendo de frio. Eu não tinha uma roupa de frio, é óbvio. Se a Ruth ama garotas seminuas naquela boate dela, por que nos daria roupas muito compridas? — Para de ser nariz empinado, você não tem escolha, garota. Por que está aqui? Porque não tem para onde ir, não é? Vem, você tem até que ser grata porque a Ruth é a única que ainda vem atrás de você, já reparou? Você só precisa aprender a jogar com ela, e vai se dar bem. Digo isso como um amigo. — Jason falava com um tom de voz amigável tão forçado que me dava enjôo. Encaro os meus pés e em seguida olho para ele em cima da moto, que me encara de volta como se esperasse por uma reação minha. — Eu vou contar até três, e vou embora. Não tenho a noite toda. — Avisou agora sim com o tom ameaçador. — Está bem! — Esbravejei pisando fundo em direção à moto. — Vê se dirige essa merda direito, está bem? Estou morrendo de frio e não quero morrer em um acidente por causa de um i****a. Jason bufa empurrando meu peito para trás me impedindo de subir na moto e eu o encaro com as sobrancelhas franzidas, então ele desliza a jaqueta pelos braços e me entrega me fazendo ficar estagnada o encarando admirada. Ele me olha por alguns segundos esperando uma reação é que eu suba da moto, e como não tive nenhuma, ele bufou. — Não estava com frio? Agora dá para subir na p***a da moto? — Esbravejou. Vesti a jaqueta de cabeça baixa ainda digerindo a versão legal que acabei de ter dele, subi na moto e segurei em seus ombros antes dele acelerar realmente que nem um i****a.
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