Então, passou mais uns dias, e eles aproveitaram cada segundo como se fosse único. Riam de coisas bobas, dormiam abraçados, faziam planos pequenos — um café juntos, uma caminhada sem pressa, um silêncio confortável que dizia mais do que palavras.
Na madrugada do último dia juntos, estavam deitados, os corpos ainda quentes do amor que tinha acabado de acontecer. O quarto estava em penumbra, só a luz fraca da cidade entrando pela janela. Aline estava de lado, com a cabeça apoiada no peito dele, ouvindo o coração bater.
Ela respirou fundo, os olhos marejados.
— Passou tão rápido esse tempo com você… eu não queria que você voltasse pro quartel.
Stefan fechou os olhos por um instante e apertou ela com cuidado, como se quisesse guardá-la ali.
— Eu sei, amor. Eu também não queria. Mas eu prometo… em três meses a gente se vê de novo. Nem um dia a mais.
Ela levantou o rosto, encarando ele.
— Eu só tenho medo da distância.
— Eu também tenho — ele confessou, sincero. — Mas a gente vai lutar junto pra dar certo. Não é só você. Sou eu também.
Aline deixou uma lágrima escapar, mas sorriu.
— Eu te amo, Stefan.
Ele passou a mão pelos cabelos dela, beijou a testa com carinho e respondeu sem hesitar:
— E eu te amo, Aline.
Eles ficaram ali, abraçados, em silêncio, tentando fazer o tempo desacelerar, gravando aquele momento na memória — certos de que, mesmo com a distância, o que tinham construído era forte o bastante para esperar.
No aeroporto, o barulho constante das malas e dos avisos não conseguia abafar o que eles sentiam. Stefan segurava o rosto de Aline com as duas mãos, como se quisesse gravar cada detalhe dela antes de partir.
— Me promete uma coisa — ele disse, a voz baixa, séria. — Me promete que você não vai correr sozinha ao nascer do sol.
Ela respirou fundo, os olhos já cheios de lágrimas, e assentiu.
— Prometo, amor. Vou me cuidar, tá?
Ele a puxou para um abraço forte, apertado, daqueles que parecem querer impedir o tempo de seguir.
— E você promete que vai voltar inteira pra mim?
Aline chorava, agarrada ao pescoço dele, sentindo o coração apertar.
— Volta inteiro pra mim você também, tá? Se cuida… por favor.
Stefan beijou a testa dela, depois os cabelos, demorando mais do que devia.
— Sempre. Eu volto. Eu sempre volto pra você.
O aviso final de embarque ecoou. Eles se olharam mais uma vez, com aquele misto de dor e certeza. Certeza de que a distância ia doer, mas que o que sentiam era forte demais para acabar ali.
Ele se afastou devagar, ainda olhando para trás, enquanto ela permanecia ali, com a mão no peito, chorando e sorrindo ao mesmo tempo — segurando a promessa que os mantinha unidos até o próximo reencontro.