Na manhã seguinte, o sol ainda entrava tímido pelas frestas da cortina quando Aline acordou.
Ela ficou alguns segundos só observando Stefan dormir.
O rosto cansado, a barba por fazer, o peito subindo e descendo devagar.
Ali. Perto. Real.
Ela se aproximou devagar e começou com beijos leves, primeiro no maxilar, depois no canto da boca, subindo até os olhos fechados.
Ele sorriu antes mesmo de acordar.
— Bom dia… — murmurou, a voz rouca de sono. — Eu reconheceria esse beijo em qualquer lugar.
Aline riu baixinho e beijou a boca dele de novo, agora com mais vontade.
— Eu senti tanta saudade… tanta — confessou, a testa encostada na dele.
Stefan abriu os olhos de vez, passou o braço pela cintura dela e a puxou pra perto, colando os corpos.
— Eu também, meu amor. Cada minuto longe de você parecia errado.
Ela se acomodou em cima dele, mãos explorando o peito que ela conhecia tão bem, como se estivesse confirmando que ele estava mesmo ali.
— Eu fiquei com medo — ela sussurrou. — Mas agora… agora eu tô calma.
Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, sério, intenso.
— Enquanto eu respirar, você não vai passar por nada sozinha. Nunca mais.
Eles voltaram a se beijar, devagar, carinhosos, sem pressa nenhuma.
Beijos longos, cheios de saudade acumulada.
Toques que diziam “eu senti sua falta” sem precisar de palavras.
Aline se aninhou no pescoço dele, rindo baixinho.
— A gente devia levantar…
— Devia — ele respondeu, beijando a têmpora dela. — Mas agora… fica só mais um pouco comigo.
E ela ficou.
Porque ali, nos braços dele, o mundo finalmente parecia em silêncio.
Ele ficou ali com ela, os dois abraçados, respirando no mesmo ritmo.
Stefan passou a mão devagar pelos cabelos de Aline, um carinho lento, cuidadoso, como se ainda estivesse com medo de que aquilo fosse um sonho.
— Você dormiu bem? — ele perguntou baixo.
— Dormi… porque você tava aqui — ela respondeu sincera. — Quando você não tá, eu fico em alerta, parece que meu corpo não descansa.
Ele fechou os olhos por um instante, apertando ela mais forte contra o peito.
— Isso vai mudar. Aos poucos, mas vai. Você tá segura agora.
Aline levantou o rosto e beijou o canto da boca dele de novo, um beijo suave, cheio de ternura.
— Obrigada por tudo que você faz… até pelas coisas que eu nem peço.
Stefan sorriu de leve.
— Eu observo. Eu cuido. Isso é amar.
Ficaram mais alguns minutos assim, trocando beijos tranquilos, sem urgência, só matando a saudade que doía. Depois, ouviram barulho na casa — passos, risadas baixas.
— As meninas já devem ter acordado — Aline comentou.
— Devem estar famintas — ele brincou. — Vocês viraram uma família aí na sala.
Ela riu, se espreguiçando.
— A gente se protegeu muito nesses dias. Dormir juntas ajudou a acalmar.
Stefan se levantou com ela ainda nos braços por um segundo, beijou a testa dela com cuidado.
— E agora vocês têm a gente de volta.
Quando saíram do quarto, encontraram Larissa e Lucas na cozinha, abraçados, e Amanda e Rafael sentados à mesa, rindo de alguma coisa no celular.
O clima era leve, acolhedor, como se a casa finalmente estivesse completa.
As três mulheres trocaram olhares cúmplices.
Não era só amor.
Era cuidado, proteção… e pertencimento.
E, pela primeira vez desde que chegaram, todas sentiram a mesma certeza silenciosa:
ali era lar.
Então Stefan falou animado, quebrando o clima quietinho da manhã:
— E se a gente fosse na cachoeira hoje?
As três pararam ao mesmo tempo.
Aline arregalou os olhos primeiro, depois abriu um sorriso que iluminou o rosto.
— Cachoeira… sério mesmo?
Larissa se levantou da cadeira na hora.
— Você tá falando daquelas cachoeiras lindas daqui? Porque se for… eu topo agora.
Amanda riu, ainda meio desacreditada.
— Vocês estão mesmo livres hoje?
Lucas respondeu, puxando Larissa pela cintura.
— Hoje sim. A gente saiu mais cedo justamente pra isso. Vocês ficaram dias presas aqui, tensas. Precisam respirar.
Rafael completou, olhando para Amanda com carinho:
— Água, natureza, silêncio… vai fazer bem pra vocês.
Aline foi até Stefan e segurou o rosto dele com as duas mãos.
— Eu nunca fui numa cachoeira assim… só vi em foto.
— Então hoje você vai sentir — ele disse, beijando a testa dela. — A água é gelada, mas limpa a alma.
As três trocaram olhares, sorrindo como meninas.
O medo ainda existia, mas ali, com eles por perto, parecia menor.
— Então tá decidido — Larissa disse animada. — A gente vai.
— Mas com uma condição — Amanda acrescentou rindo. — Vocês não desgrudam da gente nem um segundo.
Stefan sorriu de canto.
— Isso nunca foi uma opção.
Minutos depois, a casa já estava em movimento:
roupas leves separadas, cabelos presos, mochilas com água, lanches e toalhas.
As funcionárias observavam da cozinha, sorrindo ao ver aquela alegria simples tomando conta da casa.
Antes de sair, Aline parou na porta, respirou fundo e olhou ao redor.
Depois segurou a mão de Stefan com força.
— Eu tô pronta.
Ele apertou a mão dela de volta.
— E eu tô aqui.
E, juntos — seis corações ainda marcados, mas agora cheios de esperança — eles seguiram rumo à cachoeira, deixando para trás o medo e levando com eles algo novo: leveza.