dia leve ♥️

903 Words
Na manhã seguinte, o sol ainda entrava tímido pelas frestas da cortina quando Aline acordou. Ela ficou alguns segundos só observando Stefan dormir. O rosto cansado, a barba por fazer, o peito subindo e descendo devagar. Ali. Perto. Real. Ela se aproximou devagar e começou com beijos leves, primeiro no maxilar, depois no canto da boca, subindo até os olhos fechados. Ele sorriu antes mesmo de acordar. — Bom dia… — murmurou, a voz rouca de sono. — Eu reconheceria esse beijo em qualquer lugar. Aline riu baixinho e beijou a boca dele de novo, agora com mais vontade. — Eu senti tanta saudade… tanta — confessou, a testa encostada na dele. Stefan abriu os olhos de vez, passou o braço pela cintura dela e a puxou pra perto, colando os corpos. — Eu também, meu amor. Cada minuto longe de você parecia errado. Ela se acomodou em cima dele, mãos explorando o peito que ela conhecia tão bem, como se estivesse confirmando que ele estava mesmo ali. — Eu fiquei com medo — ela sussurrou. — Mas agora… agora eu tô calma. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, sério, intenso. — Enquanto eu respirar, você não vai passar por nada sozinha. Nunca mais. Eles voltaram a se beijar, devagar, carinhosos, sem pressa nenhuma. Beijos longos, cheios de saudade acumulada. Toques que diziam “eu senti sua falta” sem precisar de palavras. Aline se aninhou no pescoço dele, rindo baixinho. — A gente devia levantar… — Devia — ele respondeu, beijando a têmpora dela. — Mas agora… fica só mais um pouco comigo. E ela ficou. Porque ali, nos braços dele, o mundo finalmente parecia em silêncio. Ele ficou ali com ela, os dois abraçados, respirando no mesmo ritmo. Stefan passou a mão devagar pelos cabelos de Aline, um carinho lento, cuidadoso, como se ainda estivesse com medo de que aquilo fosse um sonho. — Você dormiu bem? — ele perguntou baixo. — Dormi… porque você tava aqui — ela respondeu sincera. — Quando você não tá, eu fico em alerta, parece que meu corpo não descansa. Ele fechou os olhos por um instante, apertando ela mais forte contra o peito. — Isso vai mudar. Aos poucos, mas vai. Você tá segura agora. Aline levantou o rosto e beijou o canto da boca dele de novo, um beijo suave, cheio de ternura. — Obrigada por tudo que você faz… até pelas coisas que eu nem peço. Stefan sorriu de leve. — Eu observo. Eu cuido. Isso é amar. Ficaram mais alguns minutos assim, trocando beijos tranquilos, sem urgência, só matando a saudade que doía. Depois, ouviram barulho na casa — passos, risadas baixas. — As meninas já devem ter acordado — Aline comentou. — Devem estar famintas — ele brincou. — Vocês viraram uma família aí na sala. Ela riu, se espreguiçando. — A gente se protegeu muito nesses dias. Dormir juntas ajudou a acalmar. Stefan se levantou com ela ainda nos braços por um segundo, beijou a testa dela com cuidado. — E agora vocês têm a gente de volta. Quando saíram do quarto, encontraram Larissa e Lucas na cozinha, abraçados, e Amanda e Rafael sentados à mesa, rindo de alguma coisa no celular. O clima era leve, acolhedor, como se a casa finalmente estivesse completa. As três mulheres trocaram olhares cúmplices. Não era só amor. Era cuidado, proteção… e pertencimento. E, pela primeira vez desde que chegaram, todas sentiram a mesma certeza silenciosa: ali era lar. Então Stefan falou animado, quebrando o clima quietinho da manhã: — E se a gente fosse na cachoeira hoje? As três pararam ao mesmo tempo. Aline arregalou os olhos primeiro, depois abriu um sorriso que iluminou o rosto. — Cachoeira… sério mesmo? Larissa se levantou da cadeira na hora. — Você tá falando daquelas cachoeiras lindas daqui? Porque se for… eu topo agora. Amanda riu, ainda meio desacreditada. — Vocês estão mesmo livres hoje? Lucas respondeu, puxando Larissa pela cintura. — Hoje sim. A gente saiu mais cedo justamente pra isso. Vocês ficaram dias presas aqui, tensas. Precisam respirar. Rafael completou, olhando para Amanda com carinho: — Água, natureza, silêncio… vai fazer bem pra vocês. Aline foi até Stefan e segurou o rosto dele com as duas mãos. — Eu nunca fui numa cachoeira assim… só vi em foto. — Então hoje você vai sentir — ele disse, beijando a testa dela. — A água é gelada, mas limpa a alma. As três trocaram olhares, sorrindo como meninas. O medo ainda existia, mas ali, com eles por perto, parecia menor. — Então tá decidido — Larissa disse animada. — A gente vai. — Mas com uma condição — Amanda acrescentou rindo. — Vocês não desgrudam da gente nem um segundo. Stefan sorriu de canto. — Isso nunca foi uma opção. Minutos depois, a casa já estava em movimento: roupas leves separadas, cabelos presos, mochilas com água, lanches e toalhas. As funcionárias observavam da cozinha, sorrindo ao ver aquela alegria simples tomando conta da casa. Antes de sair, Aline parou na porta, respirou fundo e olhou ao redor. Depois segurou a mão de Stefan com força. — Eu tô pronta. Ele apertou a mão dela de volta. — E eu tô aqui. E, juntos — seis corações ainda marcados, mas agora cheios de esperança — eles seguiram rumo à cachoeira, deixando para trás o medo e levando com eles algo novo: leveza.
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