Quando o avião pousou, já passava das 02 horas da madrugada. O aeroporto estava silencioso, luzes baixas, aquele ar frio da Itália entrando pelos corredores.
Assim que as portas se abriram e elas começaram a sair, os três estavam ali.
Parados. Imóveis. Olhos atentos. Corações disparados.
Stefan foi o primeiro que Aline viu.
Ela largou a mala no chão sem pensar duas vezes e saiu correndo.
— STEFAN!
Ele abriu os braços no mesmo instante. Aline se jogou contra o peito dele com força, como se precisasse confirmar que era real. Stefan a apertou tanto que parecia querer protegê-la do mundo inteiro.
— Acabou… — ele sussurrou no ouvido dela. — Você tá comigo agora. Tá segura.
Aline começou a chorar de verdade, soluçando, agarrada ao pescoço dele. — Eu achei… eu achei que não ia conseguir… eu fiquei com tanto medo…
Stefan beijava o cabelo dela, a testa, o rosto. — Eu sei, amor… eu sei. Mas você foi muito forte. Eu tô aqui. Eu não vou soltar você.
Ao lado, Larissa correu direto para Lucas. Ele a pegou no colo sem nem se importar com quem estava olhando, enterrando o rosto no pescoço dela.
— Meu Deus… — ele falou com a voz falhando. — Nunca mais faz isso comigo…
— Eu precisava chegar até você… — Larissa respondeu chorando. — Eu precisava.
Lucas fechou os olhos, segurando ela com força. — Agora você chegou. Agora eu cuido de você.
Amanda praticamente se jogou nos braços de Rafael. Ele a envolveu num abraço protetor, firme, quase possessivo, passando a mão nas costas dela repetidas vezes.
— Tá tudo bem… — ele murmurava. — Tá tudo bem agora. Eu tô aqui.
Amanda tremia inteira. — Eu achei que ia acontecer tudo de novo…
Rafael encostou a testa na dela. — Ninguém nunca mais encosta em você. Nunca mais.
As três mulheres estavam chorando. Não de medo agora, mas de alívio. De cansaço. De finalmente estarem onde precisavam estar.
Stefan pegou o rosto de Aline com cuidado. — Você tá aqui… comigo… do jeitinho que a gente prometeu.
Ela assentiu, os olhos inchados, mas brilhando. — Eu só precisava chegar até você.
Ele beijou a testa dela com carinho profundo. — E chegou. Agora é o nosso começo de verdade.
Os seis ficaram ali por alguns segundos, abraçados, formando um pequeno refúgio no meio do aeroporto silencioso.
A longa distância tinha ficado para trás.
Agora, eles estavam juntos.
Quando o carro parou em frente à casa, já passava das três da manhã. O cansaço era enorme, mas a curiosidade e a ansiedade eram maiores ainda.
Assim que entraram, as três olharam em volta devagar.
A casa estava silenciosa, limpa, cheirando a coisa nova. Luzes suaves acesas, tudo organizado. Não era luxo exagerado, mas tinha aconchego. Segurança. Lar.
— É aqui… — Aline sussurrou, segurando mais forte a mão de Stefan.
Ele sorriu de leve. — Vem… quero te mostrar uma coisa.
Aline e Stefan
Stefan abriu a porta da suíte deles primeiro.
Aline entrou… e parou.
Na cama, um buquê enorme de flores cuidadosamente colocado no centro. As pétalas claras contrastavam com a colcha limpa. Em volta, uma bandeja com chocolates, Nutella, bilhetinhos pequenos espalhados.
Ela levou a mão à boca, os olhos enchendo de lágrimas.
— Stefan…
Ele apontou para o canto do quarto. — Olha ali.
Ela se aproximou e viu o frigobar. Abriu devagar:
sorvetes que ela gostava, sucos naturais, iogurtes, frutas já lavadas e cortadas.
— Meu Deus… — a voz dela saiu falhada. — Você pensou em tudo…
No banheiro, ela abriu a porta e ficou ainda mais emocionada:
os shampoos, cremes, sabonete íntimo, absorventes, remédios, tudo organizado, separado, exatamente do jeito que ela usava.
Ela virou para ele chorando. — Você cuidou de mim… mesmo longe…
Stefan se aproximou devagar, abraçando-a por trás. — Eu prometi que você nunca mais ia se sentir sozinha.
Ela virou no abraço, chorando contra o peito dele. — Obrigada… por me amar assim…
Larissa e Lucas
No quarto ao lado, Lucas abriu a porta da suíte deles.
Larissa entrou sorrindo… e o sorriso virou choro.
A cama também estava coberta de flores, uma cesta com chocolates, frutas e um bilhete simples:
“Pra você se sentir em casa.”
— Lucas… — ela passou a mão no rosto, emocionada. — Você fez isso tudo sozinho?
— Fiz pensando em você — ele respondeu, tímido. — Pra você não se sentir deslocada.
Ela abriu o frigobar. — Tem tudo que eu gosto…
No banheiro, viu os produtos dela separados, os absorventes certos, até o remédio que ela tomava à noite.
Ela se virou, os olhos marejados. — Você prestou atenção em mim…
Lucas se aproximou e segurou o rosto dela. — Eu presto atenção em tudo que é você.
Ela se jogou no abraço dele. — Eu me sinto segura aqui…
Amanda e Rafael
Rafael abriu a porta do quarto deles por último, meio nervoso.
Amanda entrou… e ficou parada no meio do quarto.
— Rafael… — ela levou a mão ao peito. — Isso tudo…
Flores espalhadas pela cama, chocolates, uma prateleira cheia de besteiras que ela gostava. O frigobar recheado.
Ela foi ao banheiro, abriu o armário e viu tudo organizado, separado com cuidado.
Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Ninguém nunca cuidou de mim assim…
Rafael engoliu em seco. — Agora alguém cuida.
Ela se virou e foi direto para ele, abraçando forte. — Obrigada… por me proteger… por pensar em mim…
Ele beijou o topo da cabeça dela. — Aqui ninguém mais te machuca.
As três, finalmente em casa
Pouco depois, já de pijama, as três mulheres estavam nos seus quartos, cada uma nos braços do seu marido.
Cansadas. Emocionadas. Seguras.
Não era só uma casa.
Era o primeiro lugar, depois de tudo, onde elas sentiam que alguém realmente pensou nelas em cada detalhe.
E, pela primeira vez em muito tempo, dormiram em paz.