proteção dele

973 Words
Aline respirou fundo antes de falar. A voz saiu baixa, carregada de culpa. — Ele levou seu carro… desculpa, tá? — os olhos marejaram. — Eu compro outro pra você, … o meu quebrou, tava na oficina, então eu tava usando o seu. Stefan franziu a testa na mesma hora, balançando a cabeça devagar, como se precisasse conter algo dentro dele. — Ei… — ele se aproximou mais da cama, segurando o rosto dela com cuidado. — Para. Para agora. Você não tem que me pedir desculpa por nada. Ela insistiu, a voz tremendo: — Eu tava saindo do estúdio… o cara me rendeu. Pediu o carro. Eu dei. — engoliu em seco. — Ele mandou eu ir no caixa… eu saquei os trinta mil que tinha acabado de receber. Mesmo assim… — a voz falhou. — Mesmo assim ele me bateu. Stefan fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, estavam vermelhos, cheios de dor e de raiva contida. — Olha pra mim, Aline. — Ele falou firme, mas doce. — Você fez tudo certo. Você fez o que precisava pra ficar viva. O carro, o dinheiro… isso não vale nada perto de você. Ela começou a chorar de novo, em silêncio. — Eu fiquei com medo de você achar que eu fui imprudente… — sussurrou. — Que eu errei. Ele se inclinou, encostando a testa na dela. — O único erro aqui foi daquele desgraçado. — a voz saiu baixa, controlada. — E eu juro pra você… isso não vai ficar assim. Ela abriu os olhos, assustada. — Stefan, não… eu não quero mais confusão. — Amor… — ele beijou a testa dela com cuidado. — Confusão nenhuma. Eu só quero justiça. E quero você segura. Só isso. Ela respirou fundo, tentando se acalmar. — Quando você não tava aqui… — confessou. — Eu me senti tão sozinha. Forte por fora… mas quebrada por dentro. Ele apertou a mão dela com firmeza, passando segurança. — Você nunca mais vai estar sozinha. — disse com convicção. — Nem quando eu tiver longe. Nem por um segundo. A gente vai mudar tudo que for preciso. Eu fico esse mês inteiro com você. Depois a gente dá um jeito. Mas eu não deixo você vulnerável de novo. Ela assentiu, cansada, mas aliviada. — Obrigada por voltar… — murmurou. — Mesmo assim. Stefan sorriu triste, os olhos brilhando. — Eu atravessaria o mundo por você. — respondeu. — E faria tudo de novo, quantas vezes fosse preciso. Ele ficou ali, abraçado a ela, sentindo o coração dela bater — não pensando em carros, nem em dinheiro, mas grato, desesperadamente grato, por ela estar viva nos braços dele. Stefan continuou ali, sem pressa, como se o mundo tivesse parado dentro daquele quarto de hospital. Ele ajeitou o lençol sobre o corpo dela, com um cuidado quase doloroso, como se qualquer movimento errado pudesse machucá-la de novo. — Dorme um pouco — ele disse baixo. — Eu tô aqui. Não vou sair nem pra respirar. Ela tentou sorrir. — Você fala isso, mas sempre foi inquieto… — a voz saiu fraca. — Ficar parado não é seu forte. Ele soltou um meio sorriso, triste. — Por você, eu aprendo. — respondeu. — Por você eu fico quieto, eu espero, eu desacelero o mundo inteiro se for preciso. Ela fechou os olhos por alguns segundos, mas logo abriu de novo, como se tivesse medo de dormir e acordar sozinha. — Stefan… — chamou baixinho. — Oi, meu amor. — Quando você não atendeu… quando disseram que você tava em missão… — os olhos se encheram de lágrimas de novo. — Eu achei que talvez fosse morrer ali e nunca mais ia te ver. O peito dele apertou com força. Ele se inclinou e beijou a mão machucada dela. — Não fala isso. — a voz saiu rouca. — Você é forte demais pra ir embora assim. E eu… — respirou fundo. — Eu não suportaria. Ela apertou os dedos dele, fraco, mas firme. — Promete que a gente vai mudar algumas coisas? — pediu. — Eu amo dançar, eu amo meu trabalho… mas eu não quero mais sentir esse medo. — Eu prometo. — ele respondeu sem hesitar. — Segurança, motorista, alguém sempre com você. Nada de sair sozinha à noite. Nada de improviso. E se você quiser parar um tempo… eu te apoio também. — Eu não quero parar de ser quem eu sou… — ela sussurrou. — E você não vai. — ele garantiu. — Eu não me apaixonei por alguém frágil. Eu me apaixonei por uma mulher forte que passou por coisas horríveis e ainda assim brilha. Eu só vou estar do seu lado pra segurar a barra quando pesar demais. As lágrimas escorreram silenciosas pelo rosto dela. — Eu te amo… — disse, quase sem voz. Ele encostou a testa na dela de novo. — Eu te amo mais do que qualquer missão, mais do que qualquer quartel, mais do que qualquer coisa que tente me separar de você. A porta do quarto se abriu devagar. A mãe dela e a mãe dele apareceram, em silêncio. As duas pararam ao ver a cena: Stefan sentado ao lado da cama, segurando a mão de Aline como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. A mãe dela enxugou os olhos. — Ela finalmente se acalmou… — sussurrou. Stefan assentiu. — Ela vai ficar bem. — disse com convicção. — Eu vou garantir isso. Aline, já meio sonolenta, murmurou: — Não vai embora… Ele se inclinou e beijou a testa dela mais uma vez. — Não vou. — prometeu. — Nem agora, nem nunca. Ela finalmente adormeceu, respirando mais tranquila. Stefan ficou ali, imóvel, vigiando cada respiração, cada batida do coração dela — decidido, em silêncio, que ninguém nunca mais tocaria na mulher dele daquele jeito.
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