Capítulo 1

1093 Words
Ethan POV Batendo nas mesmas teclas daquele mesmo teclado monotonamente penso se em algum momento algo nesse mesmo dia, desse mesmo mês, seria diferente de todos os outros. Mesmo que de modo velado, todavia pouco sucinto, me pego torcendo para que tudo seja diferente ou ao menos um único detalhe que seja. Nem que seja um novo estagiário naquela droga de banco ou uma marca nova de café na cozinha interna da empresa para que eu não tenha que sair ao menos duas vezes ao dia para comprar. Tudo bem, talvez Chris estivesse certo e eu estava ficando um tantinho paranóico com essa história, mas era inaceitável ao meu ver que uma empresa tão grande e influente tivesse um café tão r**m. No final eu sabia que nada isso importava de fato, já que minha rotina era uma só e eu certamente enlouqueceria se traísse a mesma bebendo o café da empresa e permanecendo aqueles vinte minutos entre as reuniões dentro de minha sala claustrofóbica ao invés de ir na arejada e minimalista cafeteria a uma quadra de distância da empresa. E era mais um daqueles dias. Daqueles que a fila do banco estava maior que o normal, os atendentes mais grossos, o tempo nublado, o elevador da empresa em manutenção e o sistema temporariamente fora do ar. Em apenas quarenta minutos eu sentia que poderia desabar no chão de tanto estresse logo pela manhã e me perguntava quando que eu tinha tido essa maravilhosa ideia de me sujeitar a esse trabalho, bem pago, mas análogo a escravidão. Então volto a frisar que estava digitando ítem por ítem em um novo catálogo para aquela reunião, já que sem o sistema não teria como acessar o que eu já havia deixado pronto, meus dedos doíam pela movimentação brusca, meu ortopedista me xingaria depois disso, mas eu possuía poucos minutos para terminar aquilo. Droga, eu poderia explodir alí mesmo. Não havia tomado café, a droga do banco tirou todo o meu tempo apenas para fazer um simples investimento em nome da empresa, e a falta da cafeína estava me matando aos poucos com uma torturosa dor de cabeça. - Irmão, você parece um zumbi. Comentou o alfa loiro antes citado e eu coloquei o último nome difícil daquele catálogo de vinhos quase que eterno e revisei rapidamente com meus olhos pesados de sono. E eu ainda precisava dizer que possuía noites m*l dormidas? Eram tão frequentes que eu já considerava minha insônia como um hobby. - Só dormi uns quarenta minutos hoje. Comentei baixo enquanto já mandava imprimir vinte cópias do catálogo vendo meu colega de trabalho - e melhor amigo - negar desapontado. Eu sabia exatamente o que aquele olhar de desaprovação significava e do que ele viria acompanhado logo em seguida. - Ethan, você tem que seguir a vida. Foi o que ele me disse, de olhos bem atentos as minhas reações me dando uma breve inveja por não ver nenhum resquício sequer de olheiras alí. Lembro-me de ter respirado fundo ouvindo o som da impressora terminar seu trabalho, passado as duas mãos pelo rosto e descansado meus olhos sobre as mesmas que respousaram na mesa buscando achar o anel no dedo anelar direito que costumava ficar alí até pouco tempo. - Eu não quero falar sobre isso, Chris. Respondi talvez um pouco ríspido demais até, mas não aguentaria ter aquela conversa novamente sobre como eu estava ficando obcecado por minha ex-noiva, a ômega que me abandonou no altar. Era triste retratar assim, parecia que fora um término abrupto, inesperado, quando na verdade eu já estava vendo nosso relacionamento morrer há meses e eu sendo o único a carregar o fardo de tudo nas costas. Via os olhos dela distantes, suas conversas mais vazias, menos animadas, tudo o que fazíamos era apenas pela pura rotina, até mesmo o sexo. A pedi em casamento em nosso aniversário de três anos de namoro com a esperança de que isso iria reacender nosso relacionamento, trazer o amor da minha ômega de volta para mim na mesma intensidade que eu amava ela, desejava ela. Mas eu soube, no dia anterior ao nosso casamento, quando ela chegou bêbada da rua, cheirando a alfas aleatórios me dando náuseas e raiva, que aquilo já não tinha mais salvação. Então por quê eu fiquei tão destruído quando ela simplesmente não foi para o nosso casamento me deixando plantado no altar por horas? Eu deveria ter adivinhado que não daria certo no momento em que ela disse que nunca queria ser marcado, não queria ter filhotes e também não fazia muita questão de se casar também. Mas eu pensei que em algum momento eu poderia dobrá-la, mudar seus pensamentos com meu amor. Eu achava que o meu amor bastava por nós dois. O interessante é que depois de todas essas coisas ela reapareceu após meses com uma brilhante marca de outro alfa no pescoço, postando nas redes sociais o resultado do exame positivo para gravidez, algo que me custou duas noites inteiras de sono e dois dias produtivos de trabalho. Eu era definitivamente o maior o****o dessa galáxia e arredores. - Esqueça ela, Ethan. Ele ultrapassou minha mesa girando minha cadeira para que eu ficasse em sua direção e apoiou suas mãos em meus ombros. - Você diz como se fosse simples... eu amo ela, cara! Exagerei, eu mesmo sabia que meus sentimentos certamente já não eram mais os mesmos, meu lobo interior parecia nem se importar com o fato da nossa ômega estar com outro alfa. Como se meu lobo nunca tivesse a amado de fato, apenas eu. Chris fez uma careta e se afastou incrédulo no que ouvia. - Isso já se tornou uma obsessão sua, igual o café! Acusou cruzando os braços nada feliz vendo minha atual situação, e eu não o culpo, nem eu estava. Ri levemente com a comparação entre o amor da minha vida - ou quem eu pensava que era - com uma simples dose de café. Me levantei, olhei em meu relógio e organizei brevemente as folhas impressas. - Pois te digo que caso com uma garrafa de café sem pensar duas vezes se ela aceitar! Retruquei vendo ele revirar os olhos mas ao mesmo tempo soltar uma risadinha divertindo-se com minha terrível situação. - A menos que ele não seja esse da empresa, claro. E foi com essa conclusão de ideias que eu arranquei uma sonora gargalhada de meu amigo que deu dois tapinhas em meus ombros me ajudando a botar os catálogos nas pastas e a levar para a sala de reuniões.
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