Eu aceitei a carona de Miguel até o condomínio da Anna só pra ele parar de criar teorias em sua cabeça.
Enquanto caminhavamos até o elevador ele se virou dizendo:
- Não vou contar pra ninguém que voltei, e que você está aqui, até você conseguir pensar com clareza!
- Obrigada... Respondi realmente agradecida.
Quando entramos no elevador Miguel apertou o botão do térreo. A porta ia se fechando quando alguém gritou:
- Segura por favor! Era a voz de uma mulher.
Miguel colocou a sua mão entre a porta e impediu que se fechasse. E nós dois conseguimos indentificar quem era a tal mulher.
Com um sorriso presunçoso ela agradeceu olhando diretamente pra ele. Ela entrou no elevador e ficou entre nós dois.
- Sou Cassandra, moradora do quatorze... Disse sorrindo com aquele batom vermelho extravagante. - É morador novo?
- Sim e não! Miguel respondeu um pouco sem jeito. E ela ficou o olhando como se esperasse mais uma resposta, e ele enfim deu á ela. - Digamos que estou de volta!
Ela não escondeu a sua alegria, depois se voltou a mim sem dizer nada. Parece que o foco era apenas ele.
- Seu nome é? Indagou.
- Me chamo Miguel. Ele respondeu gentilmente.
- É um prazer termos você de volta Miguel! Ela ofereceu sua mão a ele e meu maxilar caiu.
- Oferecida! Balbuciei.
Ele apertou a mão dela dando aquele sorrisinho sexy. Revirei os olhos querendo degolalo pro jantar.
Enfim a porta se abriu, quase joguei ela pra fora a pontapés.
- Tenham um bom dia! Ela sorriu pra ele e me olhou com desprezo.
Vadia!!! E ele nem disfarça! Quando a tal Cassandra saiu, Miguel conferiu a b***a dela que eu vi!
Depois seus olhos me alcançaram e eu o fuzilei, com meus braços cruzados sobre o peito.
Ele quis dizer alguma coisa mas exitou.
- Não fala nada! Desferi saindo do elevador em seguida.
Fomos pro estacionamento quietos mas eu só conseguia pensar o quanto ele era sem vergonha!
Miguel ligou o som e sorriu pra mim como se não tivesse acontecido nada.
Peguei o meu celular e avisei a Anna que estava a caminho. Provavelmente ela teria que liberar nossa entrada na portaria.
Também respondi às mensagens do meu pai. Ele estava preocupado e triste por eu ter saído de casa.
- Já parou pra pensar que se der certo... Como vai pagar o aluguel do quarto em que vai morar? Miguel enfim quebrou o silêncio.
- Trabalhando... Respondi com desdém.
- Trabalhando? Você tem dezesseis anos! Nunca trabalhou! Ele disse como se fosse um problema.
- Mas posso começar... Quanto mais cedo melhor! Não acha? Me virei o olhando.
- Não sou a pessoa mais indicada a dizer! Ele respondeu sem me olhar.
Miguel sabia onde eu queria chegar! Meus tios Matheus e Lorenzo foram os primeiros a trabalharem cedo e consequentemente hoje são os mais ricos.
Papai e Tio Miguel ficavam atoa! Trabalhavam quando queriam e olha no que deu! Se não fosse a parte da herança, nem profissão teriam!
Eu sei porque meu pai mesmo me contou sobre isso!
- Eu vou passar no supermercado, vai querer alguma coisa? Perguntou.
Neguei com a cabeça.
- Eu sinto muito por você estar escondendo da família que já voltou, apenas para me ajudar! Falei o olhando.
- Não sinta, eu sempre fui desapegado deles! Sorriu. - Sinto saudades do meu filho... Irei vê-lo assim que puder!
Assenti concordando.
Chegamos no condomínio de Anna, ele ficava bem perto do centro. Miguel levantou seu olhar para os prédios a nossa frente.
- Um aluguel nesse lugar deve ser uma "grana preta", tem certeza que é aqui? Indagou.
- Sem dúvidas! Respondi.
Ele deu de ombros manobrando o seu carro até a portaria. Felizmente Anna já havia liberado a nossa entrada, Miguel me deixou em frente ao prédio dela.
- Toma, fica com uma cópia da minha chave caso precise ir embora mais cedo.
Peguei-a agradecendo.
- Vou aguardar uns minutos aqui embaixo, caso pressinta que a tal de Anna é uma serial kiler você me liga imediatamente!
- Pode ir para os seus compromissos, eu vou ficar bem! O assegurei.
- Tá! Concordou.
Tirei o cinto de segurança e saí do carro em seguida. Acenei pra ele e entrei no prédio rapidamente.
Fiquei esperando na recepção como o combinado. Olhei para o lado e avistei uma garota que estava sentada esperando alguém.
"Será que ela também aguarda a Anna?" Fiquei me perguntando sozinha. "Não! É coincidência demais!"
A garota mexia os pés um pouco impaciente. Ela tinha cabelos ruivos acobreados, e olhos castanhos mel.
Mas o que mais me intrigou foram suas vestes. Ela parecia ter saído de um Dorama com suas roupas com babados, e fechada até o colo.
Seus sapatos eram redondos igualzinho aos de boneca. Ele era preto com sola tratorada, e ela usava meias brancas.
Sua camisa social também era branca com babados no pulso e uma gravatinha na gola. E sua saia era midi plissada com estampa em xadrez.
Ela literalmente parecia uma boneca coreana!
Enfim o elevador se abriu e eu pude deixar de prestar atenção naquela menina. Uma mulher alta, magra e loura saiu dele vindo até nós.
- Vocês são Caroline e Gio? Apontou para mim e a outra garota que mais parecia um cosplay. - Eu sou Anna!
Me senti irritada quando entendi que a tal de Gio também veio pela vaga do aluguel de quarto.
- Muito prazer! Falei indo até ela.
Anna tinha um sorriso largo e bonito, os dentes dela eram perfeitamente alinhados. Ela era branca mas a sua pele era bronzeada, sua cintura era extremamente fininha; o seu cabelo era enorme aparados até o seu quadril.
Sua beleza era notória mas o que mais chamou a minha atenção foram seus olhos. Hazel! Meus olhos preferidos! Apenas cinco por cento da população possuem, e ela tinha os olhos mais lindos que eu já vi.
- Sejam bem vindas! Ela disse simpática.
- Vamos conversar lá em cima?
Gio seguiu Anna caminhando ao meu lado. Quando adentramos no elevador notei que Anna tinha uma tatuagem de borboleta atrás do braço direito. Em seu ombro esquerdo ela tinha também uma linda tatuagem de flores.
Mas quando me coloquei ao seu lado direito, notei que atrás de sua orelha havia uma pequena tatuagem de lírio. Eu achei tão linda! Tão delicada!
Anna é a moça mais bonita que eu já vi! Ela tem traços delicados em seu rosto pequeno. É magra mas nota-se que malha, tem pernas longas e definidas.
Ela usava uma camiseta de alcinhas amarela, e shorts jeans despojado. Em seu pescoço um colar dourado da fênix, brincos também dourados em sua orelha e um piercing em seu trágus.
Fiquei pensando que com a fraqueza que meu Tio Miguel tem pelas mulheres, ele com certeza ficaria rendido pela Anna. A beleza dela o deixaria desnorteado!
Entramos no apartamento com o convite dela. Ele é extremamente limpo e organizado; se vê que ela o mobiliou a pouco tempo.
Anna pediu para que sentarmos e explicou pacientemente qual era o intuito de uma colega de quarto para ela naquele momento. Falou sobre às despesas, alimentação e moradia.
Gio e eu ficamos ouvindo ela falar, Anna explicou seus costumes e regras. Depois mostrou nos a casa inteira.
E por fim a cartada final... Anna nos disse que precisava apenas de uma garota para ser sua inquilina. E se alguma de nós pensava em desistir!
Fiquei torcendo para que a coreana desistisse! Mas ela se manteve firme! E eu também me mantive, não sei como mas eu ia pagar aquele aluguel!
- Bom meninas vocês viram que tenho apenas dois quartos, e dois banheiros?! Não posso alojar todas nós aqui!
Gio pela primeira vez falou, ela explicou que era professora de educação infantil e que precisava de um apartamento próximo a escola em que faz estágio. Também nos contou que tem dezenove anos, e que estuda pedagogia; e seu curso é EAD (á distância).
Nesse momento desmoronei, eu não tinha dezessete anos completo. Estava no segundo ano do ensino médio, e nem tinha renda fixa para provar que poderia honrar meus compromissos.
Pensei em desistir da vaga, mas eu queria tanto morar alí! Uma sensação de angústia me tomou. Anna não me questionou em nada, quando percebeu que eu não ia contar nada sobre a minha vida, sorriu e disse:
- Eu tenho o telefone de vocês duas. Qual for a minha decisão eu ligo avisando.
Ela era tão sensível, tão delicada... Tenho certeza que meu pai assim como eu adoraria conhece-la.
Agradeci a Anna por ter me recebido já imaginando que ela iria me enxotar por falta de informações sobre mim.
Ela nos levou até portaria do prédio ficou esperando meu Uber chegar. Enquanto a menina esquisita seguiu andando para se encontrar com a tia, que a esperava fora do condomínio.
- Desculpa a pergunta... Anna exitou ao falar. - Será que já não nos conhecemos?
É claro que não! Eu me lembraria se já a tivesse visto!
- Acredito que não! Respondi timidamente.
- Seu rosto não me é estranho... Ela insistiu.
Enfim o Uber chegou interrompendo aquele momento constrangedor.
- Estou indo agora... Até mais ver Anna!
E ela sorriu me vendo sair.
Saí daquele condomínio já imaginando minha mãe vibrando ao me ver passando pelo portão, com todo o peso do fracasso.
Dei uma parada no centro da cidade e fiz uma cópia da chave da casa de Miguel pra mim. Eu não sei porque fiz isso! Mas minha intuição me aprovava!
Cheguei no apartamento desanimada. Fui até o quarto de Miguel e fiquei olhando a sacada que ficava em frente a varanda.
O que eu ia fazer da minha vida agora?
Suspirei fundo tentando achar uma saída em meio ao caos. Miguel havia desfeito a sua mala, abri seu armário procurando outra camiseta dele entre os cabides.
Avistei seus perfumes perto do espelho, e não resisti a tentação de abrir um por um para sentir o cheiro.
Era tudo tão bom! Ele é vaidoso... Possui cremes faciais, corporais e até esfoliantes. Tudo alí me deixava extremamente instigada. Sei que é errado! Não devo ficar bisbilhotando às coisas do irmão do meu pai! Mas ele voltou ontem! E tudo que condiz a Miguel é pra mim interessante!
Curiosa abri a primeira gaveta do armário, e junto das cuecas estavam uma caixa de camisinhas.
Ele viaja prevenido! Pensei.
Fui abri a outra gaveta mas avistei pela janela seu carro chegando. Peguei uma camiseta de banda de rock americana, e saí apressada até o banheiro.
Tomei o meu banho calmamente, e saí de lá já vestida. Miguel estava na cozinha guardando às coisas quando me avistou se aproximar.
- Também usa as camisetas do seu pai? Me sacaneou.
- As dele não são tão legais... Falei me sentando.
- Iiii... Que cara é essa? Falou se aproximando do balcão.
- Não é nada! Respondi apoiando meu queixo sobre a palma da mão.
- Não deu certo o lance do apartamento? Falou enquanto guardava caixas de cereais no armário.
- Digamos que tenho outra concorrente... Respondi desanimada.
- Que droga! Falou fechando a geladeira.
- Peguei isso pra você. Falou me entregando uma sacola.
- Pra mim? Indaguei surpresa.
Ele apenas assentiu com um sorriso.
Abri a sacola e dentro havia sabonete líquido, gilete feminina, chocolates e um pacote de absorvente.
- Não precisava ter se incomodado.
Falei mesmo sabendo que seria muito útil.
- Não sei quanto tempo vai ficar, más espero que se sinta confortável aqui! Respondeu.
- Obrigado... Respondi dando lhe um meio sorriso.
- Pega sua calça lá... Ele disse de repente.
- Vista-a, vamos sair!
- Miguel são onze horas da manhã! Respondi vendo-o sorrir.
- Eu sei! Deu de ombros. - Vamos almoçar num lugar divertido!