Ele ficou me olhando por alguns segundos depois da minha última frase. Como se estivesse decidindo se ainda valia a pena lutar. — Você iria mesmo embora? — perguntou baixo. A pergunta não veio como acusação. Veio como cansaço. Eu não respondi de imediato. Ele passou a mão no rosto devagar, como se estivesse tentando acordar de um pesadelo que não terminava. — Eu passei a vida inteira tentando proteger minha filha… — começou, mas a voz falhou. Ele engoliu seco. — Aguentei um casamento que me destruía por dentro. Trabalhei como um condenado. Fiz escolhas erradas… mas sempre achando que estava fazendo o melhor pra ela. Ele respirou fundo. Dessa vez não para se controlar. Mas porque estava perdendo o controle. — E agora eu descubro que tudo estava acontecendo tão perto… — a voz saiu

