A Mudança - Carol

1950 Words
Depois que minha mãe foi embora eu tive certeza de que ela me via como a sua inimiga, e não como filha. Nós nunca tivemos uma relação boa de mãe e filha, mas ela nunca me ameaçou dessa forma! Se bem que ela ter me expulsado de casa é bem pior do que isso! O que esperar de uma mulher que aprisiona o marido?! Meu pai é tão bonzinho! Meus olhos marejam só de pensar em deixá-lo sozinho com aquela louca! Ela tem sentimento de posse sobre ele. O despreza mas também não quer perde-lo pra outra mulher. Não precisa ser psiquiatra pra saber que ela é narcisista! Quando ele apareceu na frente do colégio meu sorriso se abriu espontaneamente. Ele também sorriu em resposta, e então abri a porta e entrei em seguida. - Pai! Falei o abraçando. - Que saudade! - Eu também querida! Ele beijou meu ombro em demonstração de afeto. Fiquei o observando enquanto dirigia. - Pai, você está mais bonito! Franzi meu cenho analisando seu semblante. - E está sorrindo... Papai me olhou sem jeito. - Você acha? Se atrapalhou um pouco. - Não está comemorando minha partida né? Ironizei. - Caroline!! Disse espantado. - Deus sabe como estou quebrado por dentro por deixar você ir! Se eu pudesse evitar... - Papai eu sei... É brincadeira! Respondi. - Além disso precisamos conversar... Começou. - Eu não poderei ir embora como você me propôs... Ele suspirou. - Sua mãe ouviu a gente ontem e está histérica! Disse que se eu sair de casa, ela te entrega no conselho tutelar. Então ela fez isso. Ameaçou papai e depois a mim! Assim nenhum de nós a enfrentaria! - Pai ela não pode fazer isso com você! Respondi aflita. - Querida pensa que será apenas um ano. Logo você fica de maior e sua mãe não poderá mais nos pressionar! Deu-me um leve sorriso. Eu sei que ele fazia isso por mim! Ele sempre fez tudo por mim! - Pai, me dói vê-lo abrindo mão de sua felicidade por mim! Encostei minha cabeça em seu ombro chateada. - Você é a minha felicidade, eu faria qualquer coisa por você! Ele beijou o topo da minha cabeça. No restaurante pedimos os mesmos pratos. Temos gostos iguais e já tínhamos ido lá outras vezes. Meu pai colocava água em meu copo quando comecei a falar. - Pai... Você tem uma amante? Perguntei. Ele levantou seu olhar pra mim. - Foi sua mãe né? Ela disse isso pra você! - Pai eu quero saber por você! Não interessa o que a minha mãe fala. Eu só confio no que o senhor diz! Respondi. Ele suspirou fundo e de cabeça baixa negou. - Não é amante. Falou. - É sua namorada? Insisti. - Não também... Ele m*l conseguia me olhar. - É complicado! - Pai! Peguei a sua mão sobre a mesa e segurei. - Está tudo bem! Sou eu! - Por enquanto ela não tem definição, filha! Respondeu-me um pouco cabisbaixo. - Mas você gosta dela! Afirmei. Ele se calou, mas fitou meus olhos se entregando sutilmente. - Estou feliz que esteja conhecendo alguém! Falei sendo sincera. - É só uma amiga filha, não tem possibilidade nenhuma de algo sério! Ele disse resoluto. - Acho quase impossível ela te conhecer e não se apaixonar por você! Pai você é incrível! É trabalhador, inteligente, bem-humorado, e lindo!! Sorri o olhando. - Disse bem, eu sou o seu pai! Sorriu. - Aah não digo só por isso! Dei-lhe um tapinha. - Ela é uma tonta se te deixar escapar! Nossas comidas chegaram e então nos calamos. Provamos juntos, e ele mudou de assunto educadamente. - Eu preciso fazer uma viajem á trabalho dentro de alguns dias. Você ficará bem? - Claro pai! Assenti. - Me passa o número da conta da sua colega de quarto, quero adiantar três meses, para que você fique despreocupada. E use o cartão de crédito que eu deixei pra você! Sinalizou. - Pai eu vou ficar bem! Tentei tranquiliza-lo. - Eu quero ter certeza! Não é porque não estamos morando mais juntos que vou te abandonar! Seus olhos brilharam. - Eu sei! Obrigado pai! Agradeci. - Eu te amo! Falei carinhosa. - Eu te amo mais! Respondeu. Na volta seguimos até o prédio de Anna. Papai voltou mudo, acho que enfim a ficha havia caído de que eu estava indo embora. Entramos no condomínio e ele parou em frente ao edifício. - Pai! Falei vendo-o chorar. - Esquece tudo isso e volta comigo pra casa?! Pediu. Sequei suas lágrimas com meus dedos. - Me desculpe! Senti minha garganta sufocada. Ele assentiu e tirando o cinto de segurança abriu a sua porta indo pegar às minhas malas. Também saí do carro em seguida. - Eu embalei tudo o que consegui. Se eu tiver esquecido algo me ligue e imediatamente eu trago! Papai falou. - Tudo bem pai! Peguei o puxador das malas de rodinhas e indo em direção a portaria. - É melhor eu entrar com você! Ele sugeriu. - Não pai. Eu quero fazer isso sozinha! Pedi. - Carol quero conhecer quem é a pessoa que vai morar com você. Saber se é de boa índole! Insistiu. Mal sabia ele que são duas pessoas! - Pai, eu sei que me ama e se preocupa comigo! E não tem no mundo alguém que eu ame mais do que você. Más me deixe ter minhas próprias experiências? Por favor! Ele assentiu desanimado. - Promete que vai ligar? Disse preocupado. - Todos os dias! Jurei de mão levantada. - E se tiver em apuros... - Não se preocupe eu ainda carrego na bolsa o spray de pimenta que você me deu! Respondi. - Ainda se lembra como dar um mata leão? Indagou. - Sim lembro... Concordei. E me arrependi de não ter dado um em Guilherme quando tive oportunidade. - Então essa é a minha deixa! Ele disse me dando um abraço forte. E beijou minha testa em seguida. Eu queria ter dito mais alguma coisa mas meu pai se afastou, e caminhou rapidamente até o carro. Ele não queria que eu o visse saíndo arrasado. Papai fez o retorno com o carro e eu fiquei o olhando ir embora. - Também vou sentir a sua falta pai! Sussurrei deixando às lágrimas caírem. Entrei no prédio, Anna havia liberado minha passagem. Agora eu também fazia parte daquele condomínio como moradora. Subi de elevador e quando cheguei no andar de Anna toquei a campainha de seu apartamento. Ela abriu a porta com um sorriso, em sua cabeça havia uma toalha enrolada. - Aah desculpe você estava tomando banho? Perguntei sem graça. - Não se preocupe, já terminei. Estava hidratando os cabelos. Ela explicou. Entrei no apartamento puxando às malas e ela fechou a porta. - Seus cabelos são tão bonitos, achei que você cuidava deles no salão! Comentei, e me arrependendo imediatamente por ser tão tagarela. Mas Anna não se importou. - Salões estão há cada dia mais caros, prefiro cuidar das madeixas em casa mesmo! Sorriu. Ela era tão doce, tão meiga... - Carol você pode ficar com a cômoda só pra você. A tia da Gio comprou um armário pra sobrinha e ela me disse que chega hoje. Explicou. Fiquei pensando se eu e a tal Gio daríamos certo! - Obrigada. Respondi. - Estarei no meu quarto caso precise de algo! Fique a vontade, a casa é literalmente sua! Sorri assentindo, e ela chamou seu gato que estava no sofá dormindo. - Christopher! Vem com a mamãe?! E ele se levantou seguindo-a até o quarto. Fui até o quarto que pertencia a mim e a esquisita. Havia apenas uma cama, e eu sozinha decidi que dormiria na sala. Naquele sofá maravilhoso de Anna junto do gato. Desfiz às minhas malas ajeitando às minha coisas na cômoda. O quarto não havia decoração nenhuma, e apenas dois móveis. Anna deixou para que a gente decorasse. Porém seria um pouco difícil pois se via de longe que Gio e eu tínhamos gostos totalmente diferentes. Ouvi do meu quarto o barulho de secador vindo do quarto de Anna, e imaginei que ela estivesse finalizando o seu cabelo. Deitei-me na cama e mandei uma mensagem para Miguel. "Eu disse que estava bem e que havia dado tudo certo." Mas sinceramente estava com saudades de sua companhia, e só queria puxar assunto. Como Miguel não me respondeu acabei me aninhando naquela cama e adormecendo sem perceber. (...) Acordei com uma porta se abrindo, passei a mão pelo rosto envergonhada de ter dormido tanto tempo. - Desculpe, não queria te acordar! Gio apareceu toda atrapalhada com vários livros nas mãos e uma mochila nas costas. - Como você está? - Acho que bem! Respondi atordoada. - Que horas são? Perguntei. - Cinco e meia da tarde. Ela respondeu. Misericórdia! Minha mente deu um estalo. Eu havia dormido tempo demais! - Sinto muito por ter dormido na sua cama. Falei me levantando. - Oh não se preocupe! Ela disse ajeitando às suas coisas. - Eu compro um colchão e a gente reveza! - Ah não, eu prefiro dormir no sofá mesmo! Falei a olhando. - Caso a Anna não se importe! Dei de ombros. - Por mim tudo bem! Ela respondeu. Gio era timida, não encarava nos olhos. Ela estava usando óculos de grau, mas atrás deles se via que seus olhos eram extremamente lindos. - Gio! Anna bateu na porta. Gio abriu para que Anna entrasse. - O porteiro avisou que sua tia chegou com o seu armário, quer ir recebê-los? - Aah sim... Ela disse atrapalhada. E desceu rapidamente. Anna e eu rimos. Acompanhei Anna até o sofá e falei sobre a hipótese de dormir nele. Com receio de que ela fosse contra. - Por mim tudo bem! Ela deu de ombros. Anna contou que não sabe cozinhar. E me disse que nunca janta em casa, pois ela trabalha á noite. - Eu sei fazer comida. Revelei. - Não é algo muito elaborado más... Meu pai me ensinou algumas coisas. - Ótimo! Você e a Gio podem ficar com a função da cozinha. E eu organizo o resto! Anna era prática e bem resolvida. Com ela eram respostas curtas e atitudes rápidas! Já que ela me designou na função "cozinhar" fui me familiarizar com às panelas. A tia de Gio não subiu, ela soube respeitar bem a regra de Anna. De não trazermos Ninguém Pra Casa! Isso inclui qualquer parente, namorado ou amigos! Eu achei a ideia perfeita! Não sou hipócrita de negar que meu pai é conhecido por fazer parte do jornal de São Paulo. E também por suas colunas onde ele descreve o movimento político em sátiras. Ela rapidamente ligaria meu sobrenome ao Tio Pither. Ele também é um dos médicos mais reconhecidos pois fez psicologia em Harvard; e depois que casou com a Tia Angel decidiu fazer uma especialização em psiquiatria, onde estudou mais três anos. Anna facilmente já ouviu falar dele! Ou até mesmo do Tio Lorenzo com a sua construtora e engenharia. Eu jamais mencionarei o sobrenome Monteiro nessa casa em hipótese nenhuma! Enquanto Anna gargalhava no sofá de novelas antigas em sua TV. Ouvíamos o barulho de algo sendo montado no quarto, sobre a supervisão de Gio. Eu prossegui com meu strogonoff e arroz branco. Quando notei a mensagem de Miguel em meu celular. Um alívio me tomou por enfim ter notícias dele! Miguel comentou que foi visitar Diana, e depois passou no trabalho do Tio Lorenzo para vê-lo. Ele perguntou como foi meu dia no colégio, e eu respondi "normal." Alguns instantes digitando algo que nunca parecia ter fim, apareceu a mensagem mais esperada por mim. "Vamos sair essa noite?"
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