Amor Proibido - Carol

1769 Words
Fiquei olhando as luzes acesas da cidade; estávamos no fim do inverno, mas isso não impedia que as ruas estivessem movimentadas. Eu estava cabisbaixa pela nossa conversa anterior. Viemos calados, até que notei Miguel seguindo na direção contrária da minha casa. — Você mudou o caminho... Pra onde está me levando? — perguntei, enfim, olhando para ele. — Se voltarmos, cada um pra sua casa, nesse estado, iremos ficar deprimidos. E eu não gosto de ficar deprimido! — disse com desdém. — Miguel, eu não estou arrumada o suficiente para sair a certos lugares! — respondi, preocupada. — Relaxa! Onde iremos, as pessoas nem vão olhar para o que você está vestindo! Miguel fez uma manobra com o carro e estacionou em uma vaga na rua. Depois saiu, deu a volta e abriu a minha porta. — Vamos? Ou pretende ficar aí a noite toda?! — Onde estamos? — perguntei, descendo do carro e ficando de frente a ele. — Não está ouvindo? — Miguel apontou de onde vinha a música, e seu sorriso se estendeu. — Você me trouxe a um pagode? — perguntei, assustada. — E esse é dos bons! — disse, se divertindo. — Agora solta esses cabelos! — falou, tirando o lacinho do meu r**o de cavalo. — Você tem cabelos tão lindos! Miguel ajeitou meus cabelos, dividindo-os com as mãos. Sei que parece inacreditável! Eu também não acreditaria se não estivesse vendo! Depois, levantou meu queixo com as pontas dos dedos. — Agora, levanta a cabeça! — Eu o fiz. — Muito bom! Agora tira essa tristeza do olhar, porque hoje vamos meter o pé na jaca! Miguel acionou o alarme do carro, depois pegou a minha mão, puxando-me para a roda de pagode que acontecia no meio da rua. Imediatamente, ele pegou duas cervejas de garrafa e me ofereceu uma. Ficamos ouvindo os músicos tocarem várias músicas conhecidas. O cantor era muito bom! Miguel o cumprimentou como se já o conhecesse há anos. E, quando ele chamou Miguel pelo nome, confirmei que já se conheciam. Vi Miguel sussurrar algo no ouvido do vocalista e depois vir apressado até mim. — Se conhecem? — perguntei. — De longas datas! — disse, virando a cerveja. — Pedi uma música pra você, venha, vamos dançar! Nem tive tempo de negar; Miguel saiu me puxando em meio à multidão. — “Cerveja de garrafa é pra uma menina muito especial!” — o vocalista começou cantando. — “Bacana, como tá legal aqui. Você é sempre um bom motivo pra eu querer ser feliz. Me dá um gole dessa sua paz. Hoje eu te vi trocando a roupa e tá bonito demais.” Miguel acompanhou cantando junto com as pessoas à nossa volta. — “É doce, cê tem um jeito doce. O seu olhar é doce.” Sorri vendo-o cantar e seguir a música. As pessoas pareciam gostar da letra, pois acompanharam os músicos até o fim do refrão. Eu sorria a todo instante, pois realmente gostava de boteco e de cerveja de garrafa. Tanto é que aceitei todas as vezes em que Miguel trazia uma! — Come, antes que você caia aí! — ele colocou em minhas mãos dois espetinhos. Sentamos em uma mesinha, e Miguel pediu uma porção para ele enquanto apreciávamos a boa música. — Nossa! Como não vim aqui antes?! — meu coração vibrava. — Morando com o seu pai, acho pouco provável! — ele disse, rindo. — Como conhece tantos lugares legais? — perguntei, eufórica. — Depois que meu pai voltou pro interior, fui criado meio pelas ruas! — respondeu. — Um bandoleiro? — perguntei, gargalhando. — Acho que eu estava mais pra um meliante mesmo! — e rimos juntos. Quando começaram a cantar a música Amor Proibido, de Dilsinho, fiz questão de cantar em voz alta. Cada letra daquela música correspondia aos meus sentimentos por ele naquele momento. Miguel só me ouviu cantar, enquanto bebia sua cerveja e sorria. Ficamos até tarde rindo, ouvindo as músicas e conversando. Depois, viemos os dois cambaleantes até o carro. — Deixa que eu dirijo? — pedi. — Você está pior do que eu! — ele disse, abrindo a porta. Eu gargalhei. — Você bebe mais do que um Opala! Fiquei o caminho todo rindo à toa. Miguel também sorria, mas creio que era mais de mim do que da piada! — Vai dormir lá em casa hoje? — perguntou-me. — Naquele sofá pecaminoso? Jamais! — falei, rindo das minhas próprias palavras. Eu parecia uma hiena do filme O Rei Leão. — Chega de rir, Estherzinha! — ele me sacaneou. — Vai acordar com dor no maxilar! — Ninguém me chama assim há anos! — revirei os olhos, ainda rindo. — Se quiser dormir na cama, eu fico com o sofá! — insistiu novamente. — A cama que você dormiu por anos com a Pâmela? Nem pensar! — neguei com o dedo e sorri. — Você tem preconceito com os móveis em que dormi ou transei com alguém? — disse, rindo, sem tirar os olhos da estrada. — Sim! Tenho nojo! — respondi, rindo. — Melhor eu trocar todos os móveis, então! — ele disse, me fitando com ar de riso. — Talvez salvemos a geladeira e o fogão! — Aaah, seu libertino! — o insultei, rindo. Chegamos ao condomínio e eu liberei para que Miguel entrasse. Ele parou em frente ao prédio. — Está entregue, mocinha! — disse, me olhando. — Obrigada pela noite, eu me diverti muito! — falei, soltando o cinto. — Até amanhã, Miguel! — Até amanhã, Carol! — assentiu com a cabeça. Saí do carro, fechei a porta e me virei para a entrada do prédio. Minha vista estava embaralhada; eu m*l conseguia enxergar a porta. — Toma cuidado aí! — ouvi a voz de Miguel alertar. Saí cambaleando rumo à entrada quando senti Miguel se aproximar. — Meu Deus, tem um degrau aqui! — disse, segurando-me pela cintura e evitando que eu caísse. Apoiei-me em seus ombros, ficando de frente a ele, e fitei seus olhos. — Não vou deixar você beber de novo! — disse, sem tirar os olhos dos meus. — Eu paro se você parar! — respondi, e ele sorriu. Houve uma longa e silenciosa pausa, até que Miguel ajeitou a minha franja, colocando-a atrás da orelha. — Você vai me beijar agora? — perguntei, sem me intimidar. — Por que você quer tanto que eu a beije? — disse, com os braços ainda em minha cintura e os olhos cravados nos meus. — Porque já te vi beijando uma vez e tenho curiosidade de saber qual é a sensação — confessei. — Carol... — disse em tom de reprovação. — Eu sei! — respondi, compreendendo. Fiz menção de sair, mas ele me segurou novamente. — O que foi? — Se eu te beijar aqui, vai ser só uma vez! E nunca mais vai se repetir ou falaremos disso! Eu só precisava sentir uma única vez. — Eu topo! — respondi, sentindo sua respiração quente na minha face. Miguel tocou meu queixo com a mão e deslizou os dedos pelo meu maxilar. Ele fitava minha boca, e eu apreciei o carinho. Eu sabia que ele era predador, por isso deixei que viesse até mim. Meu coração batia tão forte que achei que fosse sair do peito. Meu desejo latente por ele, eu não tentei mais reprimir. Senti seus lábios quentes encostarem no canto da minha boca; respirei fundo, tentando não demonstrar tensão. Depois, eles desceram até meus lábios, colando-se gentilmente nos meus. Fechei os olhos, sem acreditar que isso estava acontecendo. Mas eu queria mais — algo igual ou até acima do que ele fez com a outra naquele dia. Então abri minha boca e o convidei para me beijar com vontade. Miguel se retraiu um pouco, mas eu o segurei pelo casaco e o puxei para mim. E ele me beijou como eu sonhei todas as noites, puxando levemente meus cabelos pela nuca. Senti seus lábios macios nos meus, sua língua invadindo minha boca e suas mãos descendo pelo meu corpo. Acariciei seus cabelos quando senti algo queimar dentro de mim. Miguel me levantou contra o corpo; toquei sua língua com a minha, e ele me ergueu ainda mais em seus braços. Coloquei minhas pernas ao redor dele. Miguel caminhou comigo e me pressionou contra a parede. Ainda com as minhas pernas entrelaçadas, senti-o sugar meus lábios e minha respiração ficar ofegante. Ele desceu dos meus lábios para o meu queixo e percorreu todo o meu pescoço com beijos. Senti sua língua quente na linha do meu maxilar e, sem conseguir me conter, soltei um gemido baixo. Miguel me apertou ainda mais contra a parede. Seus beijos se aceleraram; eu m*l conseguia me controlar. Beijei-o no pescoço e senti quando seu m****o roçou entre as minhas coxas. Agarrei-o com força, sentindo algo duro me cutucar. Eu só queria que ele me levasse para sua casa, me jogasse em sua cama e me fizesse dele. Senti sua mão percorrer minha espinha e só queria tocá-lo também. Coloquei a mão debaixo do casaco e alcancei o final de sua camisa; enquanto o beijava, lembrei-me de suas tatuagens e do peito definido. Sua barriga e seu peito eram lisos; por um instante, pensei em colocar as duas mãos e me arriscar a sentir Miguel por completo, mas ele parou. Interrompemos o beijo, nossos rostos colados, sua respiração ofegante, visivelmente se controlando. Mesmo com o escuro da madrugada, vi seus lindos olhos brilharem. Eu só queria avançar sobre ele e beijá-lo novamente. Miguel soltou as mãos de mim e baixou o olhar, retomando o fôlego. — Está aí o que você queria! — suspirou. — Espero que eu tenha correspondido às suas expectativas, pois irei pagar um preço muito alto por isso! Ele colocou a mão sobre a parede e levantou o olhar para mim. Era nítido que ele também havia gostado! Depois, ergueu o queixo e beijou minha testa, acariciando meus cabelos. — Boa noite, Carol! — disse baixo, com a voz grave e pacífica, e depois saiu. — Miguel! — falei, vendo-o se virar. Ele olhou para mim. — Você disse que nunca mais falaremos sobre isso... Miguel assentiu, como se concordasse. — Então me responde agora... O que você sentiu com tudo isso? Eu precisava saber. Miguel ficou quieto por um instante, como se hesitasse. Depois, começou: — Eu senti... como se tocasse com as mãos no céu! — deu-me um leve sorriso e entrou em seu carro, indo embora. Fiquei olhando ele ir, sabendo que, apesar de tudo, ele não era indiferente a mim.
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