Miguel ficou me olhando por alguns instantes. O silêncio entre nós era pesado, quase sufocante. Ele respirava pausadamente — eu percebi pelo subir e descer lento do peito, como se estivesse tentando manter o controle. — Estou me sentindo um i****a — disse, chateado. A voz saiu baixa, ferida. — Eu abro o meu coração e você simplesmente se cala? Apertei o roupão contra o corpo. Meus dedos tremiam. Eu estava apreensiva demais para fingir qualquer coisa. — Miguel… você sabe o que eu sinto por você. Eu te amo desde o primeiro dia em que a gente se reencontrou naquela ponte. A primeira vez que você tirou a camiseta na minha frente e me entregou pra lavar… — suspirei fundo. — Ali eu já tive certeza de que não te via como meu tio. Eu desejei você. Soltei o ar como se o peso das palavras finalm

