Acordando o prédio- Carol

1977 Words
Sabe o trecho daquela música… “Aonde foi parar o seu juízo? Já são quatro da manhã, daqui a pouco liga o síndico. Será que tem como a moça gritar baixinho? Sei que tá bom, mas as paredes têm ouvido, e era pra ser escondido…” Eu me identificava completamente! Prometi contar todos os detalhes, e aqui estou. Talvez você perca a paciência comigo, talvez pense o pior… afinal, estou perdidamente apaixonada pelo meu tio. Não tenho argumento em minha defesa. Miguel é mais de vinte e cinco anos mais velho que eu. É o terceiro irmão do meu pai. Toda a família fala das conquistas dele, até minha mãe comenta. Eu sei exatamente onde estou me metendo… E mesmo assim não consigo me afastar. Estou louca por ele, sem conseguir disfarçar. Tudo nele me prende: a voz, o cheiro, o corpo, o beijo… até os defeitos parecem me chamar ainda mais para perto. Miguel não brincava quando disse que só estava se aquecendo. Nós transamos de novo… e de novo… e de novo. Ele me colocou sentada sobre ele, pediu que eu controlasse os movimentos. As expressões que fazia… meu Deus, me deixavam ainda mais excitada. Depois me prendeu contra a parede, me segurando com força, e a intensidade foi tanta que precisei morder os lábios para não gritar. O prazer que ele me proporcionava era algo que eu jamais teria imaginado viver. Em certos momentos ele puxava meu cabelo, em outros me erguia sem esforço, e eu sentia cada detalhe como se fosse único. Eu sabia que ele também estava entregue — a forma como perdia o controle me provava isso. Para ser sincera, já havia perdido as contas de quantas vezes ele me levou ao limite. Meu corpo parecia viver um orgasmo atrás do outro, como se não houvesse fim. Uma lágrima quente escorreu dos meus olhos, e Miguel disse que era emoção — que isso só acontecia quando o prazer era verdadeiro. Caímos exaustos sobre a cama, suados, ofegantes. Deitei sobre ele, rindo baixinho: — Conseguiu experimentar tudo o que queria? Ele arqueou um sorriso safado: — Ainda falta te pegar de quatro… — respondeu em tom de brincadeira. — Na verdade, o Kamasutra inteiro seria pouco pra nós. Olhei nos olhos dele, e então ouvi o que nunca pensei que ouviria: — Carol, você não faz ideia do quanto te desejei em silêncio… — Desde quando? — perguntei, a curiosidade quase me sufocando. Ele passou a mão devagar pelos meus cabelos, os olhos brilhando de desejo contido. — Vai me achar um pervertido se eu disser… — murmurou, mordendo o lábio. — Me fala… — insisti, sentindo meu coração disparar. Miguel soltou um riso baixo, mas logo sua expressão ficou séria, carregada de intensidade. — Desde o primeiro dia, Carol. Quando você apareceu usando a minha camiseta, andando pelo apartamento como se fosse dona dele… eu só pensava em te jogar na cama e f***r você até perder o ar. Senti meu corpo estremecer, o calor subindo pela pele. Ele aproximou o rosto do meu ouvido e sussurrou: — Quando você me observou dormir e se inclinou pra ver o piercing… eu tive que me controlar pra não te agarrar ali mesmo. Queria sentir sua boca nele… sonhei várias vezes chupando a sua bocetinha quente. Meu coração quase saiu pela boca, e meu corpo respondeu antes da minha mente. Ele sorriu, notando a minha reação. — Eu não demonstrava, Carol… mas por dentro eu já te possuía em todos os jeitos possíveis. Meu corpo queimava só de ouvir aquelas palavras. A voz rouca de Miguel, carregada de verdade e luxúria, me deixou sem chão. — Você sonhava comigo desse jeito…? — perguntei, quase num sussurro, mas por dentro já estava latejando de desejo. Ele segurou meu queixo, me obrigando a encará-lo. — Sonhava… e me punia depois, dizendo que era errado. — aproximou os lábios, quase roçando nos meus. — Mas agora que já provei você, Carol, não existe volta. Eu quero mais. Sua mão desceu firme pela minha coxa, afastando minhas pernas sem pedir permissão. Eu arfei, sentindo sua ereção latejante pressionar contra mim de novo. — Miguel… — gemi, já me entregando, o corpo implorando antes mesmo de eu responder. Ele riu baixinho, aquele riso sacana que me enlouquecia. — Grita mais alto dessa vez. Quero que o prédio inteiro saiba que você é minha. E antes que eu pudesse retrucar, sua boca tomou a minha num beijo brutal, enquanto seus dedos já me abriam e seu corpo me prendia contra a cama. Ele não esperou minha resposta. Empurrou meu corpo contra o colchão e abriu minhas pernas com a força de quem já sabia que eu não tinha mais resistência. A ponta do seu p*u roçou na minha entrada, quente, duro, latejante. Meu gemido escapou alto, sem que eu pudesse conter. — Assim… — ele murmurou contra meu ouvido, segurando firme meus pulsos acima da cabeça. — Quero ouvir cada som, cada grito. Quando entrou de uma vez, senti o ar sumir dos meus pulmões. O choque de prazer me arqueou inteira contra ele. — Miguel! — gritei sem vergonha, sem pensar em vizinhos, em ninguém. Ele me fodia com estocadas intensas, profundas, o corpo colado ao meu, o cheiro da nossa pele misturado ao suor. Cada movimento fazia minha visão embaçar de prazer. — Eu sabia… — ele rosnou, mordendo meu pescoço, — que você ia se abrir todinha pra mim… sempre foi minha, Carol. Meu corpo se contraiu em volta dele, num prazer desesperador. Eu não conseguia me controlar, só gemia, pedia mais, apertava minhas pernas em torno dele para que não saísse de mim. — Isso… — ele gemeu entre dentes, acelerando ainda mais. — Me aperta desse jeito… me enlouquece… Eu gritei de novo, mais alto do que antes, sentindo o orgasmo me tomar inteira, forte, arrebatador. Miguel não parou, continuou me fodendo até ele mesmo perder o controle, urrando quando gozou dentro de mim, me segurando tão forte que parecia ter medo de me soltar. Caí exausta, ainda tremendo, o corpo molhado de suor e prazer. Miguel permaneceu sobre mim alguns segundos, ofegante, me encarando como se quisesse gravar aquele momento para sempre. — Agora sim… — ele disse, beijando minha boca com intensidade. — Agora você é toda minha. Mesmo exausta, procurei minha camiseta pelo chão e segui em direção ao banheiro. — Vou tomar uma ducha — avisei — Quer companhia? — ele perguntou, virando-se com um sorriso perverso nos lábios — Não — respondi, sorrindo — eu realmente preciso me lavar Onde desliga esse homem? — pensei, me perguntando — Miguel… — mudei o tom, como se algo me incomodasse — você acha que eu deveria começar a tomar anticoncepcional? — Não — ele disse, calmo — eu sou vasectomizado. Fiquei parada por alguns segundos, surpresa, tentando processar aquilo. — Se ficar aí me encarando desse jeito, eu te arranco essa camiseta, te coloco de quatro e não paro até você implorar por descanso — ele disparou, a voz rouca, carregada de desejo. Engoli em seco, sem coragem de responder Dei apenas um sorriso torto e fui para o banheiro; liguei o chuveiro e deixei a água cair sobre mim Tantas coisas para pensar, mas o corpo estava exausto — eu precisava dormir (...) O celular tocou alto lá na sala e eu me virei com tudo na cama, acabando por cair no chão. Engatinhei, tentando não fazer barulho, peguei o aparelho sobre o aparador e me sentei no tapete, encostando-me no sofá. — Oi, pai — falei tão baixo que m*l parecia minha voz. — Carol? Você está bem? — a preocupação dele atravessou o telefone e fez meu coração apertar. — Estou sim… — respondi, verificando de relance se Miguel ainda dormia. — Você estava dormindo? Te mandei várias mensagens… — Estava, pai! — respondi, sentindo um frio na barriga, temendo que ele desconfiasse de algo. — Não foi a aula? — Papai perguntou, e meu estômago se revirou. — Não, eu não fui, pai… — respondi, batendo a cabeça no sofá e apertando os olhos, me punindo mentalmente. — Por que não esta me contando a verdade? — ele insistiu, e eu senti o peso da culpa me esmagar. — Que verdade, pai? — minha voz quase falhou. — Um amigo repórter me disse que te viu jantando com o filho do Frederico Trajano… Suspirei, aliviada, mas ainda envergonhada. — É só um amigo, pai… — falei, tentando soar natural. — Mas nós sempre conversamos, filha. Você poderia ter me contado! — ele continuou, e a cada palavra meu peito apertava mais. — Desculpe, pai… achei que isso podia esperar — respondi, querendo encerrar aquela tensão. — Não se preocupe, minha filha. Você pode me contar qualquer coisa, sabe disso, não sabe? A culpa me esmagava ainda mais. — Claro, pai! — falei, tentando manter a calma. — Amanhã o papai volta, e você me conta tudo sobre esse garoto. Estou morrendo de saudades, filha. Até amanhã… — Eu também, pai… até amanhã! — soltei o ar, aliviada quando ele desligou. Miguel apareceu ao meu lado, sem camisa, apenas com uma calça de elástico azul-marinho. Sentou-se no tapete, encostando-se no sofá, e mexia nos dedos das mãos enquanto falava baixo: — A culpa é uma droga, né? — disse baixinho, a voz carregada de arrependimento e desejo contido. Olhei para ele, sentindo meu peito arder. — Alguém contou para ele sobre o Bernardo — expliquei, tentando quebrar o silêncio pesado. Ele desviou o olhar, depois me fitou com intensidade, como se tentasse me decifrar: — Quanto tempo acha que vão levar para descobrirem da gente? Senti meu coração apertar. A culpa, o medo e o desejo se misturavam de um jeito quase insuportável. — Eu não quero estragar sua vida, Carol… Acho melhor você voltar pra casa agora e esquecermos isso — disse ele, a firmeza na voz escondendo a emoção que tremia em seus olhos. — Então é isso? Essa madrugada não significou nada pra você? — falei, sentindo a garganta apertar, o peito queimando. — Foi só sexo? Ele olhou pro teto, respirando fundo, como se lutasse contra os próprios sentimentos: — p***a, Carol… você sabe que não! — disse, finalmente me olhando. — Mas já estão falando de você, e eu não quero que nada te prejudique. Já pensou no que vai acontecer quando descobrirem da gente? Eu baixei a cabeça, incapaz de encará-lo. — Eu preferiria morrer a te magoar, mas… isso não pode continuar — murmurou, a voz sufocada, cheia de culpa. — Então o que eu faço? — minha voz falhou, apertando minha mão no tapete. — Que você volte pra sua vida… — ele hesitou, e vi seus olhos marejarem. Não consegui mais me conter. Me joguei contra ele, envolvendo-o num abraço apertado. — Eu quero ficar com você! — falei, deixando as lágrimas rolarem. — Eu também… — ele murmurou, segurando meu rosto entre as mãos, o queixo encostado no meu ombro. — Mas não posso arruinar sua vida… acha que alguém vai apoiar a gente? Nos afastamos apenas o suficiente para ele passar os dedos delicadamente pelas minhas lágrimas, enxugando-as. — Quando você for maior, poderá decidir sozinha… — disse, a voz carregada de desejo e cuidado. — Até lá você é responsabilidade do André — insisti, firme, apesar da emoção — mas você não foi só uma noite! — Sempre que quiser… — disse ele, com os olhos brilhando, cheios de intensidade. — Você sempre terá lugar aqui, do meu lado, no meu coração… e na minha cama. E ali, no chão da sala, com nossos corpos próximos e os corações acelerados, entendemos que nada mais importava: éramos apenas nós, consumidos por um amor proibido, cheio de culpa e desejo, que nenhum de nós estava disposto a ignorar.
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